Aminoácidos na dieta de frangos de corte auxiliam desempenho

6 Dez 2018 Fonte: O Presente Rural Agricultura e Pecuária
 Aminoácidos na dieta de frangos de corte auxiliam desempenho

Aminoácidos na dieta de frangos de corte auxiliam desempenho (Foto: OP Rural )

A nutrição é um dos pontos mais importantes para o melhor desenvolvimento do animal ao longo de toda a sua vida. A partir dela o produtor pode ter um melhor desempenho, melhores resultados, além de um maior ganho. Porém, é preciso se atentar para que a correta alimentação esteja de acordo com o que o frango realmente precisa, para não desencadear problemas futuros.

De acordo com o nutricionista Vitor Hugo Brandalize, a qualidade da carne está bastante ligada à linha genética que o produtor usa. “Para falar de nutrição, precisamos falar de genética”, destaca. O profissional falou sobre o assunto durante o 8º Congresso Latino-Americano de Nutrição Animal (Clana), que aconteceu na segunda quinzena de outubro, em Campinas, SP. Ele explica que as empresas de genética têm desenvolvido os produtos a partir de uma avaliação feita sobre as tendências de mercado e seu direcionamento.

“Nos últimos anos um fator importante é o custo dos grãos, que mudou muito e tem feito também com que mudasse a tendência dos nutricionistas. Antes, a grande maioria das companhias estavam preocupadas com a produtividade, o índice de eficiência da empresa. Já hoje, devido ao aumento do custo dos grãos, as companhias vêm mudando e estão mais focadas no custo de produção e menos na produtividade. Em contrapartida a isso, o programa de seleção sofre pressão para aumentar o rendimento das carcaças das aves”, explica.

Brandalize explica que a cada ano os clientes vem pressionando para que aumente o rendimento do peito das aves. “O mercado exige que a ave tenha mais peito, porque esta é a parte mais rentável do animal”, diz. Porém, esta pressão pelo crescimento do peito das aves nos últimos anos tem trazido problemas, como as miopatias, por exemplo. “Mas este é um problema de fácil solução. As companhias de genética não reduzirão o rendimento do peito, vão continuar focando nisso, como também na qualidade da carne do animal”, destaca.

O profissional afirma que com a evolução genética o peso das aves também aumentou. Dados coletados pela Cobb-Vantress mostram que antes as aves tinham 1,6 quilos e hoje este peso é de três quilos. “A cada ano as aves estão ficando 45 gramas mais pesadas. E isso aumentou por conta da seleção genética. Algumas companhias genéticas já chegaram a 100 gramas por ano”, informa.

Outro ponto destacado por Brandalize é que com a evolução genética o frango passou a reduzir a deposição de gordura. “Se quer melhorar a conversão alimentar automaticamente vamos reduzir a gordura da carcaça das aves”, comenta. Outra mudança foi quanto ao peso de abate dos animais. O profissional destaca que a cada ano, com os custos aumentando, uma forma que a indústria encontrou para diminui-los e não precisar repassar grandes valores ao consumidor foi aumentar o peso de abate. “Nos Estados Unidos quase 40% das aves são abatidas com mais de quatro quilos”, informa. Ele complementa que quando há aumento de peso de abate das aves, quer dizer que as aves vão ficar mais velhas, o que faz com que haja piora da conversão alimentar.

Deposição de gordura

Brandalize explica que muitas vezes o produtor chama o nutricionista e diz que o frango está muito gordo, e, em parte, isto é verdade. “Podemos solucionar em parte este problema, em alguns casos a nutrição pode ajudar. Porém, muitas vezes o nutricionista não é responsável por isso, mas sim a gordura que existe na carcaça”, conta. Ele diz que a medida que o peso da ave aumenta, a deposição de gordura no animal também cresce. “A fêmea tem uma deposição maior de gordura que o macho”, complementa.

O profissional chama atenção ainda quanto a temperatura no tanque de escaldagem no abate. Ele explica que se for muito alto, o animal acaba perdendo esta gordura e, assim, consequentemente, parte do rendimento da carcaça das aves. “A indústria precisa tomar cuidado com esta temperatura de escaldagem nas plantas, porque a medida que a temperatura aumenta, você vai perdendo gordura, que protege a carcaça, e assim perde rendimento industrial – que chega próximo a 2% do rendimento das aves”, conta.

Brandalize diz que é muito difícil mudar a deposição de proteína das aves. O que é possível fazer é reduzir a deposição de gordura, o que pode melhorar o rendimento industrial das aves. “Mas mudar a deposição corporal das aves somente com a nutrição é muito difícil”, destaca. O nutricionista diz que um fator importante e que é difícil de justificar é porquê as aves são hoje mais sensíveis na deita apenas a partir dos 25 dias de idade. “Elas respondem a mais níveis de energia depois dos 25 dias. Isso é um fator interessante que temos em relação à proteína e gordura. A medida que a ave fica mais velha, um dia, essa relação da proteína e gordura reduz”, conta.

Estudo

O especialista comenta que um trabalho foi desenvolvido na Universidade de Auburn (EUA) para entender o que acontecia com a performance e a carcaça das aves. Na primeira fase do estudo (em aves de 1 a 14 dias) houve quatro níveis de energia e uma amplitude grande. “O peso médio e a conversão alimentar não tiveram muita diferença. Depois, usamos a recomendação sobre aminoácidos, e reduzimos 92%, e isso fez com que reduzisse a conversão alimentar. Ou seja, o aminoácido tem um grande impacto no desempenho das aves”, comenta.

Dos 14 aos 32 dias Brandalize explica que não foi encontrada nenhuma diferença no ganho de peso ou conversão alimentar. Com a redução dos aminoácidos ainda não houve diferença. “As aves conseguiram compensar comendo mais”, explica. Neste mesmo período, mudando os níveis de energia não aconteceu nada quanto ao rendimento de carcaça. “O que observamos foi que aumentando a energia, aumenta também a quantia de estria branca na carcaça”, considera. Outro detalhe observado foi que se aumentar o nível de energia na nutrição, o que cresce também é a deposição de gordura na carcaça. “O aminoácido ajuda a reduzir a gordura da carcaça e aumentar o rendimento do peito. A medida que aumenta o aminoácido na dieta, melhora a carcaça, reduz a gordura e assim podemos usar uma energia mais baixa e aminoácido mais alto”, explica.

E, por final, dos 28 aos 42 dias, o profissional conta que não houve diferença no ganho de peso, mas uma expressiva mudança na conversão alimentar. “O estudo demonstra que depois dos 28 dias de idade a energia tem efeito de melhoria ou de conversão alimentar. No peso médio de aminoácidos não encontramos diferença, mas na conversão alimentar sim”, conta. Brandalize explica que a medida que aumenta o aminoácido na dieta, cresce também o rendimento do peito e reduz a deposição de gordura da carcaça.

O nutricionista afirma que é importante o produtor e o nutricionista avaliar a viabilidade econômica das dietas que são adotadas para as aves. Sem contar que é preciso entender melhor o metabolismo das aves, para adotar a melhor dieta. “Temos ainda uma grande oportunidade para isso”, sugere.