Associações do setor de grãos negam negociação sobre fretes, criticam tabelamento

14 Jun 2018 Fonte: REUTERS Agricultura e Pecuária
Associações do setor de grãos negam negociação sobre fretes, criticam tabelamento

Associações do setor de grãos negam negociação sobre fretes, criticam tabelamento

Entidades do setor brasileiro de grãos afirmaram nesta quarta-feira que não estão negociando com órgãos do governo ou com caminhoneiros sobre o estabelecimento de fretes mínimos para cargas a granel, reforçando que a medida poderia impactar as exportações nacionais.

 

O documento é assinado pelas Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), que respondem por quase todo o volume de milho, soja e farelo comercializados no Brasil.

“Há grande preocupação entre as empresas representadas com a volta à normalidade do escoamento de grãos e, por esta razão, as entidades têm procurado dialogar... As conversações se restringem exclusivamente a questionar, no âmbito administrativo, as medidas governamentais e não tratam de negociações sobre os preços mínimos”, destacaram as entidades.

 

Enquanto as discussões prosseguem, integrantes do mercado relatam dificuldades para negociar a produção de grãos. Corretores citam que os negócios estão praticamente parados, com parte dos agentes evitando fechar acordos sem a garantia de transporte.

O tabelamento de fretes foi uma das medidas tomadas pelo governo para acabar com protestos de caminhoneiros no mês passado, que afetaram a economia do país.

Segundo as associações, “a solução para os problemas de remuneração dos motoristas autônomos não será resolvida impondo, sobre os embarcadores, um tabelamento de preços”.

Até o momento, Abiove e Anec já recorreram a meios legais contra o tabelamento de fretes, alegando que “não há espaço em nossa democracia ou na Constituição” para tabelamento de fretes. “A imposição de tabelamento de preços de frete vai acabar com o sistema de financiamento, fixação de preço e comercialização que permitiu ao Brasil ser o maior produtor de soja e o terceiro maior produtor de milho do mundo”, afirmaram.