(Biopark) Os desafios de um projeto transformador de Toledo e região Oeste

4 Jul 2018 Fonte: Assessoria Destaques
Os desafios de um projeto transformador de Toledo e região Oeste

Os desafios de um projeto transformador de Toledo e região Oeste

Toledo e região Oeste dão passos determinantes para virar referências na formação de pesquisadores nos cobiçados ramos das biociências. O projeto de longo prazo arquitetado pelo empreendedor Luiz Donaduzzi vai consumir R$ 12 bilhões, em prazo estimado de 30 anos, e exigir doses cavalares de determinação e paciência. A burocracia e as amarras governamentais estão entre os mais sérios e desanimadores desafios de quem, com talento, trabalho e perseverança, quebra paradigmas e imprime mudanças transformadoras ao seu ambiente.

A área que começa a receber as primeiras estruturas físicas do Biopark, na rodovia que leva de Toledo a Palotina, vai contar a longo prazo com 20 mil residências, estruturas de convivência, três universidades, cem laboratórios, hospital e 60 mil moradores. Embora cuidadosamente elaborada, a implantação do parque tecnológico é revestida de medidas protetoras extras. Uma delas, segundo Donaduzzi, é perceber que no Brasil, em pelo menos 95% dos casos, empresas que antes de chegar ao mercado passaram por incubadoras fracassaram. “É que por aqui tudo conspira contra. Por isso é tão difícil empreender diante dos desafios que nos são impostos”.

Para fugir das estatísticas, o Biopark vai contar com um plano diferenciado de suporte e de contingências às empresas que incubar. Elas contarão com uma espécie de proteção adicional para que, no futuro e já andando com as próprias pernas, possam sobreviver e crescer. Os pilares, além de disponibilização de recursos com condições diferenciadas, estão alicerçados no acesso a conhecimentos fundamentais sobre mercado, marketing e outras disciplinas que envolvem relacionamentos para enfrentar, entender e competir em um mercado tão conturbado, mas que é também de oportunidades. Uma das propostas do Biopark, de acordo com Luiz Donaduzzi, é constituir um fundo para alavancar empresas com potencial de crescimento de até 30% ao ano.

 

Colapso

Em recente contato com empresários da região, em evento organizado pela Caciopar, Donaduzzi fez um alerta preocupante. Disse que o modelo de ensino brasileiro está em colapso, ainda refém de conteúdos enormes, ultrapassados e que em nada contribuem para os desafios impostos às carreiras modernas e ditas do futuro. O acesso à informação jamais foi tão fácil devido às diversas tecnologias criadas nas últimas décadas. Isso precisa ser considerado e as antigas fórmulas não se aplicam mais ao processo de formação de uma nova sociedade, voltada às ciências avançadas, à inovação e à tecnologia.

O método disseminado no Biopark será o do ensino baseado em projetos, em um ambiente no qual o professor se transforma em orientador. Voltado à reflexão e à busca criativa dos mais diversos tipos de problema, o objetivo é dispender energia em buscas que realmente valham a pena, sempre potencializando resultados. “Nossa meta é ter no parque pelo menos 500 CNPjs ligados às áreas da Tecnologia da Informação e Biociências, mas prioritariamente empresas ambientalmente sustentáveis. Com base em experiências internacionais bem-sucedidas, o projeto contará ainda com o método da validação de produtos, outro passo determinante para o sucesso de qualquer empreendimento.

 

Canadá

Para manter-se na vanguarda, o Biopark fará parcerias e comprará tecnologias avançadas de países-modelo em inovação e resultados. Exemplo disso são contatos em andamento com empresas da província de Quebec, no Canadá. Inicialmente, serão oito projetos em implantação, um deles de estímulo à produção de queijos finos. A validação é empregada pelos canadenses há muito tempo e, segundo Luiz Donaduzzi, o procedimento é responsável por no mínimo 85% do sucesso desse modelo de ensino. “Essas trocas de informações são vitais para manter o projeto conectado com o que há de mais moderno e pulsante em meio a tantas tecnologias e novidades”, observa o empreendedor.

Mesmo com o garra de um menino e a perseverança de um monge, Donaduzzi emite os sinais de exaustão reveladas por um modelo tecnicista e burocrático que esfacela sonhos e joga grandes projetos no lixo. Apenas para conseguir uma matrícula para o Biopark foram necessários 11 meses de trabalho, espera e argumentações. Esse é um dos motivos que fazem homens obstinados como Donaduzzi deixar escapar, mesmo com um aperto no peito, frases que apenas um país problemático como o Brasil consegue produzir: “Às vezes, mesmo amando essa terra, dá vontade de largar tudo aqui e ir investir no Paraguai. Estamos perdendo cérebros e grandes oportunidades de desenvolvimento”, lamentou diante de uma plateia de empresários que, como ele, sonham em ter um Brasil justo, próspero e inclusivo.


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