Como garantir a longevidade do plantel?

6 Dez 2018 Fonte: O Presente Rural Agricultura e Pecuária
Como garantir a longevidade do plantel

Como garantir a longevidade do plantel (Foto: OP Rural )

A suinocultura, assim como qualquer outra atividade de interesse zootécnico, visa remunerar o suinocultor pelo seu trabalho e risco de investimento. Porém, assim como as demais atividades, está sujeita a fatores como preço de venda dos animais e de compra de insumos necessários para atividade, restando apenas ao suinocultor trabalhar nos aspectos sobre seu controle, referentes a eficiência e produtividade.

Geralmente o retorno sobre investimento em matrizes se dá após o terceiro parto. Entretanto, fatores como o preço recebido pelo leitão desmamado, custo da aquisição da leitoa, e mesmo o número de leitões desmamados no primeiro ciclo, podem alterar essa ordem de parto, adiantando ou atrasando o ponto de equilíbrio e consequentemente o retorno sobre o investimento.

A busca pelo aumento da longevidade das matrizes deve ser uma meta constante nos sistemas de produção, visando maximizar a eficiência reprodutiva do plantel. Uma meta prática, seria a atingir o terceiro parto em torno de 70% do plantel de leitoas, visando garantir pelo menos o retorno econômico investido na sua aquisição e manutenção do plantel.

Descarte precoce: Plantel jovem

Na grande maioria das granjas, o número de leitões desmamados ao longo da vida das matrizes está muito abaixo do potencial de produção (de 60 a 70 leitões). Geralmente, 40 a 50% das matrizes são descartadas antes de atingirem o terceiro ou quarto parto, e são desmamados apenas 30 a 40 leitões ao longo da vida.

Leitoas e fêmeas de primeiro e segundo parto representam cerca de 45% do total de matrizes descartadas. Isso pode resultar em uma estrutura etária do plantel com predominância de fêmeas jovens.

Imunidade do plantel

A imunidade e consequentemente a sanidade do plantel são afetadas devido à mudança na estrutura etária do plantel. Leitoas e primíparas, possuem menor potencial de transmissão de proteção imunológica aos leitões devido ao menor período em que foram desafiadas na granja, interferindo diretamente nos resultados produtivos da granja. Para que não ocorra desestabilização imunológica do plantel, é fundamental que as porcas permaneçam tempo suficiente para desenvolver adequada sensibilização aos patógenos circulantes no rebanho e transfiram esta imunidade aos seus leitões, garantindo bom desempenho dos mesmos e menor ocorrência de doenças. 

Metabólicos nutricionais

A utilização de metabólitos nutricionais tem sido uma ferramenta eficiente no aumento dos índices reprodutivos de fêmeas suínas. Metabólitos nutricionais são substâncias adquiridas através de processos fermentativos, como os de cervejaria, por exemplo. Essas substâncias contém uma série de componentes que são extremamente importantes para o desenvolvimento animal, como aminoácidos, vitaminas e até mesmo probióticos, entre outros. Em fêmeas suínas, alguns resultados na literatura têm demonstrado que o uso desses aditivos em porcas pode reduzir seus índices de mortalidade e beneficiar o desenvolvimento dos leitões. Isso pode estar associado ao aumento da imunidade inata das porcas (imunidade natural) que é transferida a sua prole. Recentemente um aditivo nutricional composto por metabólitos nutricionais oriundos de diversos processos fermentativos, teve a sua eficiência comprovada em um estudo inicial que avaliou o desempenho zootécnico de suínos alimentados em fase de crescimento e terminação. Conforme observa-se na figura 3, animais recebendo o aditivo obtiveram melhor conversão alimentar em relação a outro grupo de animais que não receberam o aditivo.