Controle sanitário em granjas no Brasil garante vendas para China, que sofre com peste suína

13 Mai 2019 Fonte: Globo Rural Agricultura e Pecuária
Controle sanitário em granjas no Brasil garante vendas para China, que sofre com peste suína

Controle sanitário em granjas no Brasil garante vendas para China, que sofre com peste suína (Foto: Divulgação )

A China vai ter que importar mais carne de porco por causa da peste suína africana e, no Brasil, as granjas contam com controles sanitários para garantir a saúde dos rebanhos e aumentar as vendas para o país.

Em Santa Catarina, por exemplo, boa parte da carne suína que sai dos portos tem a China como destino. Só no mês de março, 40% do total embarcado no estado foi para o mercado chinês, que comprou 12 mil toneladas.

 

"Cada vez mais a China vai ser o mercado para se olhar e exportar carne suína, porque a gente vê que 48% da produção mundial está na China e eles estão passando por uma dificuldade sanitária, abatendo rebanhos inteiros. É uma oportunidade para o Brasil exportar para aquele país e cada vez mais melhorar essa questão comercial", diz Lozivanio Lorenzi, presidente da Associação Catarinense dos criadores suínos.

 

O estado espera poder ocupar mais espaço nas exportações e, para isso, não descuida do controle sanitário dos rebanhos.

"Dentro da cadeia de produção nós temos inúmeras barreiras pelas quais controlamos e monitoramos toda a sanidade de nossos plantéis. Barreiras tão efetivas que são o que há de melhor no mundo em segurança na produção. São barreiras que controlam toda a entrada de materiais, todos os materiais, antes de entrar na granja, passam por desinfecção. E também tem o controle de pessoas", diz José Antônio Ribas Júnior, diretor da Seara.

 

A 'blindagem' na prática

Para conhecer mais sobre essa "blindagem sanitária" de toda a cadeia, o Globo Rural visitou uma granja integrada à agroindústria, em Seara, no Oeste catarinense.

Antes de entrar na ganja, a reportagem passou por todo o protocolo de biosseguridade. Óculos, relógio e crachá tiveram que ser deixados em um armário. Foi preciso ainda passar pela área de banho e troca de roupas, procedimento faz parte da barreira sanitária, que funciona como divisão de áreas: a suja e a limpa.

O equipamento usado para gravar gravação também foi desinfetado antes de iniciar a visita.

A granja é fechada, com um sistema de pressão negativa, que usa exaustores e placas de resfriamento para controle de temperatura. O contato com os animais fica restrito aos funcionários e técnicos, e eles também seguem todo o protocolo de segurança. Esse procedimento cria uma barreira evitando a entrada de doenças.

"A gente tem que seguir à risca porque está na nossa mão. Se deixar um pouco flexível, já começa a gerar problemas. Então a gente tenta proteger 100%", diz o criador Rodrigo Bisollo.

A granja de Rodrigo tem 1,2 mil matrizes e uma produção mensal de quase 3 mil leitões. Ele investiu em torno de R$ 5 milhões na produção e está otimista com os resultados.

 

"A gente precisa de todo um contexto para conseguir criar esses animais com qualidade. Mas, com certeza, um mercado novo é uma porta para conseguir ganhar um valor a mais."

 

Oportunidade local

Com as grandes agroindústrias voltadas ao mercado internacional, os produtores independentes têm mais espaço para explorar o mercado interno.

É o caso do suinocultor Bazilio Knakiewicz, que tem uma pequena propriedade em Nova Erechim. Ele entrega cerca de 200 animais por mês para frigoríficos da região e conta que, nos dois últimos anos, os preços estavam baixos, mas agora já sente uma mudança no mercado.

 

"O faturamento bruto de um suíno terminado hoje fica em torno de R$ 100 a mais do que estava há seis meses. Com esse diferencial dá para a gente respirar."

 

Vale lembrar que existem dois tipos de peste suína: a africana e a clássica. No Brasil, existem focos da peste clássica em criações caseiras de alguns estados do Nordeste. A que está preocupando tanto na China é a peste suína africana, muito mais contagiosa e, hoje, não existem focos no Brasil.