Guardiola começa temporada no City com pressão inédita

2 Set 2021 Esportes
Guardiola começa temporada no City com pressão inédita

Guardiola começa temporada no City com pressão inédita (Foto: Imagem de bigbabybonze por Pixabay )

Que Pep Guardiola é um dos melhores, se não o melhor, treinador do mundo nos últimos 10, isso é indiscutível. Com uma carreira profissional desde 2008, o catalão venceu duas Champions League, 3 ligas espanholas, 3 ligas alemãs e 3 ligas inglesas, além de diversas Copas e Supercopas e três Mundiais de Clubes.

Mas a expectativa sobre ele e seu Manchester City é tão grande que o treinador começa com uma pressão inédita. O City é favorito para a conquista do campeonato ingles segundo as casas de apostas, à frente do Liverpool, United e Chelsea.

Mas “só” ser campeão nacional seria uma decepção porque a Europa ainda não foi conquistada pelo seu clube, o investimento continua estratosférico e Pep Guardiola não vence a Champions League há exatos 10 anos, quando tinha Messi, Xavi, Iniesta, David Villa e companhia no Barcelona.

Falta o título europeu

Dos melhores se cobra o mais alto nível constante, o que é, claro, injusto. Apenas três treinadores têm três títulos de Liga dos Campeões: Carlo Ancelotti (bicampeão com o Milan, vencedor com o Real Madrid), Zinedine Zidane (três títulos com o Real) e Bob Paisley (tricampeão com o Liverpool).

Esperava-se que Guardiola se juntasse a essa lista na temporada passada, quando ele finalmente voltou à final da Liga dos Campeões depois de seguidas eliminações nas semifinais e quartas de final com o Bayern de Munique e o Manchester City.

Entretanto ele não foi feliz na escalação e seu time foi derrotado pelo Chelsea, que não era o favorito no jogo.

Como toda pessoa que faz sucesso, há quem não seja tão fã e faça algumas acusações injustas. A atual é que Messi salvou sua pele no seu auge como treinador e que muitos jogos ele tenta inventar demais com a escalação.

Outra acusação, essa mais justa, é que o investimento do Manchester City deveria ter resultado em campanhas de Liga dos Campeões melhores em anos anteriores e no título no ano passado.

A carteira continua aberta

Em Barcelona Guardiola teve a base à disposição e com Messi, Xavi, Iniesta, Victor Valdés, Sergio Busquets, Puyol e Piqué (que foi para o Manchester United, mas voltou), o time venceu tudo. Claro, tinha contratações, mas nem de perto no ritmo atual do Manchester City.

O City é um clube que até tem uma categoria de base e revelou Phil Foden. Mas o time é uma mostra do poderio financeiro, contratando atletas em basicamente todas as janelas. Só nesta, mesmo com a pandemia, chegou Jack Grealish por 100 milhões de libras (mais de 730 milhões de reais) e a negociação por Harry Kane ultrapassa o bilhão de reais.

Só há um rival para fazer frente com esses valores e é o PSG, que investiu pesado em Neymar e Mbappé e agora tem Messi para completar o trio. Veremos se Mbappé fica na França.

Todo esse investimento para ganhar “apenas” o campeonato inglês foi suficiente em anos passados, mas agora a régua do City é a Europa. Se no Barcelona e no Bayern, dois gigantes continentais, essa pressão também existia, era normal considerar que existiam times com mais talento ou investimento maior e que a disputa seria dura. Com este City nada disso importa: Thomas Tuchel, Jurgen Klopp, Zinedine Zidane e Luis Enrique, entre outros, venceram a orelhuda (como o troféu é conhecido) sem a mesma pompa que Guardiola.

Próximos do fim?

Guardiola teve ciclos curtos nas suas passagens anteriores, ficando 4 anos no comando do Barcelona e 3 no Bayern. No livro Guardiola Confidencial, o que mais se aproximou da rotina do treinador e expor a forma como ele pensa, a passagem pela Inglaterra já era planejada até mesmo quando ele tinha acabado de assumir o Bayern. Esta é a sexta temporada no comando dos citizens.

Seu contrato irá até 2023 e sabendo do seu envolvimento e o desgaste que ele tem na sua vida totalmente focada no trabalho, é normal assumir que ao fim da temporada 2022/23 ele saia do clube. Ou seja, diferentemente de Carlo Ancelotti, que já rodou a Europa em sua carreira de três décadas como treinador, as chances de ser campeão da Champions não serão muitas mais. Isso só adiciona mais pimenta ao tempero.