Seca no RS pode comprometer plantio de trigo apesar de cenário promissor no Brasil

13 Abr 2020 Fonte: REUTERS Agricultura e Pecuária
Seca no RS pode comprometer plantio de trigo apesar de cenário promissor no Brasil

Seca no RS pode comprometer plantio de trigo apesar de cenário promissor no Brasil

A forte estiagem ocorrida no Rio Grande do Sul durante a safra de verão deve gerar danos que se estendem até a temporada de inverno e podem comprometer o plantio de trigo no Estado, que é o segundo maior produtor da cultura no Brasil.

Em linhas gerais, 2020 tende a ser um ano promissor para o trigo brasileiro, considerando o dólar alto, que eleva a precificação interna do cereal, e projeções climáticas favoráveis.

Assim, o risco maior fica para a produção gaúcha.

“Imaginávamos uma expansão de área que agora pode ser impactada pela falta de recursos dos agricultores prejudicados pela seca no verão”, disse à Reuters o coordenador da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim.

 

 

Para ele, na perspectiva mais otimista, o Rio Grande do Sul conseguirá empatar com a área plantada na safra passada, de 730 mil hectares.

“Historicamente, quando o agricultor gaúcho fica endividado ou descapitalizado na primeira safra, ele reduz o investimento na safra seguinte para diminuir o risco de uma nova perda.”

A seca ocorrida no Rio Grande do Sul neste ano foi tão severa que pressionou as estimativas nacionais para a produção de soja, grão cultivado no Estado durante o verão.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou nesta quinta-feira que a colheita da oleaginosa foi impactada por uma quebra de safra no Rio Grande do Sul, que registrou o pior rendimento das últimas oito temporadas.

Ainda assim, as estimativas para o plantio de trigo dividem opiniões.

Para o consultor em Gerenciamento de Riscos especializado em trigo da FCStone, Roberto Sandoli, a área do cereal pode crescer de 5% a 10% tanto no Rio Grande do Sul, quanto no Paraná, maior Estado produtor do cereal.

No Paraná, o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado, Carlos Hugo Godinho, crava uma alta de 5% na área semeada, para 1,8 milhão de hectares.