Ganhadora da Mega Sena é agredida e denuncia racismo após confusão em condomínio de luxo na CIC

Solene Tomaz Rosa, de 44 anos, é a mulher que mora no condomínio e que era a dona da festa,

“Voltem para o caminhão de banana que vocês caíram, seus pretos, macacos”, foi assim que teria dito o homem que provocou uma confusão em um condomínio de luxo da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O episódio, que aconteceu na noite de quarta-feira passada (17), acabou com duas pessoas presas: dois jovens que teriam agredido o homem que os xingou. O ofensor, porém, que também agrediu, sequer foi detido.

Solene Tomaz Rosa, de 44 anos, é a mulher que mora no condomínio e que era a dona da festa, em comemoração ao aniversário do filho, de 18 anos. “Estávamos comemorando, quando chegou o homem, descontrolado e começou a gritar que daria dois tiros em meu marido. Dizia que era para sairmos do condomínio, porque lá não era lugar para a gente”, disse.

Ainda com a boca machucada, pois levou pelo menos seis pontos por causa do soco que levou do vizinho, Solene disse que jamais vai esquecer o que aconteceu. “Nunca tínhamos feito nada para ninguém, nem o tínhamos visto pelo condomínio, mas acredito que o fato de termos ganhado na Mega Sena despertou, talvez, inveja nas pessoas e nem sabíamos”.

Os dois filhos de Solene, entre eles o rapaz que tinha acabado de completar 18 anos, foram presos por terem agredido o homem que lhes ofendeu, os ameaçou e também os agrediu. “Quando ele começou a dizer que daria dois tiros em meu marido, meu filho o empurrou. Outras pessoas o agrediram. Tudo para defender a família, afinal de contas toda ação tem reação. Ele chegou nos agredindo e xingando, nós reagimos”.

Na confusão, o homem que os ofendeu também foi agredido. O vizinho, que é advogado e ex-policial militar, foi levado ao Hospital do Trabalhador para ser socorrido, recebeu atendimento e está bem. “Meus filhos não fizeram o certo ao agredi-lo, mas é por isso que vão responder por isso. Só que o que ele fez não foi o correto e poderia até mesmo ter acabado em tragédia”.

Solene Tomaz Rosa tomou seis pontos na boca após as agressões. Foto: Colaboração.

Solene Tomaz Rosa tomou seis pontos na boca após as agressões. Foto: Colaboração.

Segundo o homem, que acionou a polícia por causa do barulho na festa, pelo menos 30 pessoas foram para cima dele, mas Solene nega. “Foram oito pessoas”. Depois da confusão, os dois filhos foram levados à Central de Flagrantes, da Polícia Civil, e assinaram termo circunstanciado por lesão corporal grave, ficaram dois dias presos e estão em liberdade.

Solene acredita que os filhos foram presos por puro preconceito, não apenas pela agressão que cometeram. “Por que ele, que começou toda a confusão, saiu impune? Se fosse para prenderem pela situação, que tivessem prendido todos que o agrediram também, mas levaram para a delegacia só os negros. Foi puro racismo”.

Medo das ameaças

O advogado que representa a família, Marden Maués, disse que já entrou com as medidas cabíveis. Segundo ele, não é possível dizer que a polícia agiu em defesa do homem, mas que alguma coisa estranha aconteceu. “Porque ele, que agrediu uma mulher, que precisou levar pontos, sequer foi indiciado por isso”.

Para o defensor, o que mais preocupa agora não é só a questão em que a família se envolveu, mas também o que pode vir futuramente. “Eles foram ameaçados, até mesmo pelas redes sociais, e tememos agora que algo aconteça. É por isso que resolvemos agir para intervir e impedir algo pior”.

Investigações seguem

Na noite da confusão, a Polícia Militar (PM) confirmou que foi acionada por moradores do local pelo número 190, para intervir na festa por causa do som alto. Conforme a PM, ao chegarem no condomínio, os policiais verificaram que os moradores já tinham sido alertados e teria havido resistência. A Polícia Civil continua investigando o que aconteceu. A reportagem da Tribuna do Paraná não conseguiu encontrar, o vizinho e nem advogado deste homem que se envolveu na confusão.

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