Artigo do Bispo Dom João Carlos Seneme deste domingo 12/05

Ide pelo mundo inteiro e anunciai a boa-nova a toda criatura
 
O evento da Ascensão do Senhor, fase conclusiva da experiência terrena do Ressuscitado, realiza e ilumina a obra inteira da salvação de Cristo. O Cristo morto e ressuscitado retorna ao Pai e leva consigo nossa humanidade. Para vir até nós, Deus envia seu Espírito e sua Palavra. Para nos levar até Ele, o próprio Deus se “encarnou”, entrou na história humana. Por isso o mistério da Ascensão foi anunciado no mistério da Encarnação: “ninguém jamais subiu ao céu, se o Filho do Homem que desceu do céu (Jo 3,13).
A Solenidade da Ascensão do Senhor assinala que os discípulos reconhecem que Cristo já não está presente fisicamente entre eles. Ele os acompanha através do seu Espírito.  A mensagem evangélica a ser difundida no mundo é confiada aos discípulos. Eles são enviados através de um mandato: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). O convite dirigido por Jesus aos seus discípulos e relatado no final do Evangelho de Marcos não poderia ser mais claro. No final dos 40 dias passados com os discípulos depois da ressurreição, o Mestre reitera a confiança com que se dirigiu a cada um deles no início de toda a história, quando “nomeou doze deles – aos quais chamou apóstolos – estar com Ele e enviá-los a pregar” (Mc 3,14-15).
Agora os discípulos estão prontos, só falta o Espírito Santo que, depois de alguns dias, no Domingo de Pentecostes, lhes dará coragem para enfrentar a emocionante experiência da missão evangélica. O mesmo mandato continua a ser dado aos discípulos de hoje, que mesmo se sentindo incapazes, aceitam a missão de anunciar a obra de salvação de Jesus.
A evangelização não diz respeito apenas a quem é chamado a desempenhar o papel de pastor na Igreja. Cada batizado recebe, precisamente no momento do batismo, um chamado explícito para ser apóstolo, enviado para levar a luz do Evangelho a todas as esferas da terra: A vocação cristã é por sua natureza também uma vocação ao apostolado. E a luz acesa no batismo, no coração de cada um de nós, continua a brilhar na nossa vida, apesar e através dos nossos erros. A evangelização é confiada a pessoas normais, cheias de defeitos bem conhecidas por Deus, que, no entanto, vê, em cada um, um apóstolo digno de toda a confiança do Pai. “Os santos – ensina o Papa Francisco – não são super-homens, nem nasceram perfeitos. Eles são como nós, como cada um de nós, são pessoas que, antes de chegar à glória do céu, viveram uma vida normal, com alegrias e tristezas, dificuldades e esperanças”.
Os discípulos não permaneceram em Jerusalém, paralisados pela memória e pela nostalgia do Mestre. Tornaram-se responsáveis pelo Evangelho no mundo e partiram, com espírito de livre fidelidade e criatividade apostólica, sentindo que o Senhor estava sempre presente, mesmo que de outra forma. Esta é a Igreja, a comunidade de discípulos que se encarrega do Evangelho no mundo. Cada um de nós faz parte desta Igreja missionária e tem a sua parte de responsabilidade na missão recebida de Jesus.
“Inteligência artificial e sabedoria do coração: por uma comunicação plenamente humana”. Este é o tema escolhido pelo Papa Francisco para a celebração do 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais. “A comunicação deve ser orientada para uma vida mais plena da pessoa humana”.
Que Maria, a mãe de Jesus, interceda por todas as mães e estenda seu manto protetor sobre elas, infundindo com seu exemplo, muita coragem e alegria.
 
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledoerno. Jesus demonstrou seu amor ao Pai observando os Mandamentos do seu Pai e o fez com obediência assídua e perfeita. Assim, Ele nos convida a fazer o mesmo, mostrando-nos seu exemplo. O seguimento de Cristo é, de fato, o grande caminho que o cristão é chamado a percorrer e é a fonte da maior alegria. Jesus confirma isso: “Eu vos disse isto para que participeis da minha alegria e vossa alegria seja plena”.
Em seguida, Jesus estende sua exortação ao amor pelo próximo. Ele se coloca como modelo do verdadeiro amor: “Como eu vos amei”. O modelo a ser imitado é sempre de natureza divina: é Cristo mesmo, aquele que sabe e pode verdadeiramente amar no sentido mais pleno da palavra. Como eu vos amei: e aqui devemos pensar em nossa Criação, na Redenção, no Sacrifício de Cristo por nós, em todos os dons dos quais ele nos torna participantes.
O amor de Cristo coloca em crise o poder como prerrogativa dos relacionamentos humanos. O poder que instrumentaliza o ser humano é um dispositivo que divide e humilha. Com sua morte, Jesus elimina essa concepção de amor. Podemos constatar isso quando Jesus lava os pés dos discípulos e pede que eles façam o mesmo. A mensagem de Jesus no ato de lavar os pés é profunda: não há outra verdade para o cristão se não morrer para que outros tenham vida. É dom da vida que dá origem a um outro tipo de relacionamento. Jesus, doando a sua vida, se coloca como fundamento e modelo das relações que não baseadas no poder e na divisão de classes, mas no dom de si. 
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). O amor deve ser desinteressado ao máximo para merecer ser chamado de amor cristão. E nós, criados à imagem e semelhança de Deus, somos chamados antes de tudo a amar, somos chamados a refletir o amor de nosso Criador no amor fraterno. Quanto mais amamos, mais conseguiremos conhecer a Deus e fazê-lo conhecer àqueles que nos rodeiam.
 
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo

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