Produtor gaúcho investe na melhoria do solo para amenizar efeitos de estiagens

No estado brasileiro mais afetado por fenômenos climáticos nos últimos seis anos, alguns produtores estão dando mais atenção à qualidade do solo. Leandro Soncini faz coleta, análise e correções de solo todos os anos na área em que cultiva soja e arroz no município gaúcho de Dom Pedrito, na região da Campanha, a 20 quilômetros da fronteira com o Uruguai. Nas partes mais altas da lavoura ele utiliza cinco pivôs para irrigar 400 hectares enquanto nas áreas mais baixas faz rodízio de soja e arroz. Ele aproveita a estrutura de bombas e canais do arroz para levar água à soja plantada em sistema de sulco e camaleão. Como ele suavizou as coxilhas, a irrigação por gravidade alcança de 70 a 80% dos talhões. A soja ocupa a parte superior das linhas e consegue absorver a água que corre pelos sulcos.

Com a repetição de estiagens nos últimos anos, Soncini decidiu ampliar as áreas com plantas de cobertura para segurar a umidade por mais tempo no verão. Para isso, a aveia e o azevém ganharam a companhia de ervilha, centeio e nabo. Ele quer testar a capacidade dessas três últimas plantas de tolerar frio e umidade, mas isso só pode ser feito nas áreas um pouco mais altas. “Nossas terras são muito baixas. Não é qualquer pastagem que suporta frio e umidade em excesso”, explica. Antes de formar palhada, essas plantas servem de pastagem para 1.500 bovinos. Soncini engorda de 400 a 500 animais da raça Angus por ano.  

Com o conjunto de medidas, Soncini espera amenizar o impacto das estiagens. “Sofremos muito com as secas”, lembra o produtor. Na safra passada, por exemplo, o rendimento da soja ficou em 44 sacas/hectare. Na seca histórica de 2022, foi ainda pior: apenas 38 sacas/hectare. Para a safra 2025/26, plantada entre 28 de outubro e 5 de janeiro, Leandro calcula médias de 40 sacas nas áreas não-irrigadas e de 80 sacas nos talhões com irrigação.

INÍCIO DIFÍCIL

As dificuldades não são novidade para os Soncini. Neimar, o pai de Leandro, trocou uma propriedade de 30 hectares onde vivia com mais nove irmãos e os pais em Faxinal do Soturno, na região Central do Rio Grande do Sul, por áreas mais planas em Dom Pedrito entre os anos de 1969/70. Parte dos pertences foi acomodada sobre um reboque puxado por um trator Fordson Major. A viagem foi uma proeza inimaginável para os dias atuais. Neimar rodou com o pequeno trator todos os 350 quilômetros entre as duas cidades. Começou trabalhando como peão de outros produtores e mais tarde arrendou terras. “A gente não tinha recurso para nada, mal para comer. Nem dá para dizer que começamos do zero porque começamos com dívidas”, lembra o pai. Ele faz questão de manter viva a história para que sirva de exemplo aos mais novos. Segundo Neimar, muita gente foi para a Campanha nessas condições. Era bastante comum migrar para regiões pouco exploradas. Aos poucos, à base de sacrifício e força de vontade, as condições foram melhorando e eles passaram a comprar áreas. Leandro terminou o colégio agrícola e foi trabalhar com o pai em 1990.

Hoje, a Agropecuária Soncini é uma holding (empresa administradora) com 4.800 hectares próprios. A família cultiva aproximadamente seis mil hectares entre áreas próprias e arrendadas. Para dar conta de tantas tarefas, Leandro conta com o auxílio dos dois filhos agrônomos, Thiago e Mariana, e da irmã Luciana.

O pai Neimar, agora com 79 anos, gosta de trocar ideias sobre as atividades e os negócios. “Ele é meu parceiro até hoje”, conta Leandro, com um tom de reconhecimento aos ensinamentos do pai. Aliás, dos ensinamentos que aprendeu é que a natureza é soberana, mas que o produtor tem que fazer o que está ao seu alcance. “A enchente e a seca sempre vêm, sempre estamos sujeitos às intempéries. O mínimo que temos que fazer é uma boa cobertura de solo, boa drenagem nas áreas baixas, calagem, uso de sulco e camaleão quando possível. Dá para amenizar os efeitos da seca”, assegura.

RAIO X

Agropecuária Soncini

Local: Dom Pedrito (RS)

Área: 4.800 hectares

Grãos: soja e arroz

Pecuária: raça Angus

Atenciosamente,

Ageiél Machado

Assessoria de Imprensa

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