Tecnologias de ponta começam a chegar aos pequenos agricultores

Antes restritas à produção de larga escala, as tecnologias de ponta voltadas ao setor agropecuário começam a se tornar acessíveis também aos produtores de pequeno porte, contribuindo para reduzir custos e aumentar a produtividade. Isso ficou claro na apresentação, durante o Show Rural, do painel “Acelera ESG: como o programa está impulsionando soluções para os desafios do agro”.

O Acelera ESG é uma parceria entre a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec que, a partir de uma pesquisa junto a cooperativas do Paraná e do Mato Grosso do Sul, identificou as principais demandas do agro em relação a novas tecnologias capazes de melhorar a sustentabilidade ambiental, social e produtiva de agricultores e agroindústrias. O programa atua no desenvolvimento das soluções e na conexão entre produtores e provedores dessas tecnologias.

Um exemplo concreto apresentado no painel é o da Daga Agrinavi, uma das primeiras incubadas no Espaço Impulso e surgida para atender a uma demanda de sua própria fundadora, a agricultora Josiane Daga. Com uma pequena propriedade e maquinário simples, ela se via impossibilitada de praticar agricultura de alta precisão.

Agricultores como ela têm que se contentar com um GPS agrícola de sinal aberto, que resulta em um erro de, no mínimo, 30 cm entre as passadas do maquinário. Pode parecer pouco para quem não é da área, mas uma faixa de 30 cm de largura ao longo da lavoura, em que a semeadura ou a aplicação de insumos não ocorreu ou se sobrepôs, afeta a saúde da planta e implica prejuízos financeiros para o produtor.

A Daga desenvolveu um GPS acessível a pequenos produtores que reduz esse erro para 2,5 cm. Segundo Josiane, o equipamento é compatível com 95% do maquinário disponível no campo e já está sendo visto como uma mudança de paradigma pelo pequeno produtor. “Mudou a forma da gente trabalhar, é uma mudança da água para o vinho”, atestou o produtor Emerson Librelato, que também participou do painel.

A solução foi desenvolvida em áreas cedidas pela Coopavel. Para o presidente da cooperativa, Dilvo Groli, o Acelera ESG vem desenvolvendo soluções que serão largamente empregadas pelos cooperados ao longo dos próximos anos. O programa chegou a receber mais de 200 propostas das quais 13 foram selecionadas para desenvolvimento.

Durante o painel, o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, destacou o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável do território. “No contexto da necessidade de adaptação às mudanças climáticas e da entrada em vigor do acordo União Europeia-Mercosul, é necessário melhorar as condições de produção e a renda dos produtores”, afirmou.

O painel também contou ainda com a participação do diretor de Negócios e Empreendedorismo do Itaipu Parquetec, Eduardo de Miranda. Ele destacou o alcance do programa, que já conecta cerca de 2 mil pessoas, entre produtores e representantes de agroindústrias. “E gente vem construindo esse trabalho com outros parceiros de todo o Brasil, outras startups de diferentes regiões, buscando ampliar o intercâmbio de soluções para o campo”, completou. (Foto: Jean Pavão/Itaipu)

por Antonio Sbardelotto

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