Entenda o caso da menina de 8 anos morta após sequestro no Paraná

Corpo da criança foi encontrado três dias após o desaparecimento; suspeito morreu em confronto com a Polícia Militar.

O desaparecimento de uma menina de 8 anos terminou de forma trágica no Noroeste do Paraná. A venezuelana Miratzi Kairelis Perez Mejía foi encontrada morta na noite do último domingo (15), em uma área de mata em São Manoel do Paraná, após ter sido sequestrada na quinta-feira (12).

O principal suspeito do crime, Daniel Luiz Ferrari, de 25 anos, morreu no mesmo dia, durante confronto com a Polícia Militar.

Segundo a Polícia Civil, Daniel era namorado da mãe da criança e estava sozinho com a menina depois de pedir que a mulher fosse até uma mercearia comprar cigarros. Ele teria dado R$ 20 para a compra. Quando a mãe retornou, não encontrou mais a filha nem o companheiro.

Antes do sequestro, o suspeito invadiu a casa da ex-companheira, de 39 anos, que está grávida de 7 meses, e a esfaqueou no abdômen. Conforme a polícia, ele também agrediu a ex-sogra, de 81 anos, e o filho da mulher, de 2 anos. A gestante foi socorrida por equipe médica do município e encaminhada ao Hospital São Paulo, em Cianorte, onde passou por cirurgia. De acordo com a Polícia, tanto ela quanto o bebê não correm risco de morte.

Após o ataque, Daniel fugiu em um Ford Del Rey azul levando a menina. O veículo foi localizado abandonado na sexta-feira (13), em área rural do município, o que intensificou as buscas.

LOCALIZAÇÃO DO CORPO

O corpo da criança foi encontrado a cerca de 500 metros do local onde o carro havia sido deixado, em uma área de erosão às margens do Rio São João, na localidade conhecida como Farinheira. Voluntários que participavam da força-tarefa auxiliaram nas buscas e relataram ter sentido forte odor vindo da mata. A Polícia Militar informou que o corpo apresentava sinais de violência e já estava em estado avançado de decomposição.

De acordo com o delegado Wagner Quintão, a causa da morte será confirmada por laudo da Polícia Científica. A investigação apura os crimes de tentativa de feminicídio, lesão corporal e feminicídio.

CONFRONTO E MORTE DO SUSPEITO

Daniel foi localizado na tarde de domingo (15), durante as buscas realizadas por equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e policiais do Grupo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE), com apoio de cães farejadores.

Segundo a Polícia Militar, ao ser encontrado, ele atacou os agentes com uma faca. Um dos golpes atingiu próximo à lanterna do colete de um policial, que não ficou ferido. Diante da agressão, os militares reagiram e efetuaram disparos. O suspeito morreu no local.

A polícia também confirmou que, antes de ser localizado, Daniel esteve na casa do pai na madrugada de sábado (14), onde tomou banho e jantou. Conforme o delegado, o pai tentou indicar aos policiais que o filho estava na residência, mas ele conseguiu fugir pulando o muro.

ANTECEDENTES E MEDIDAS PROTETIVAS

Conforme a Polícia Civil do Paraná, Daniel possuía antecedentes por tráfico de drogas, lesão corporal e violência doméstica, além de já ter sido investigado por suspeita de participação em homicídio. A ex-companheira esfaqueada já havia registrado boletins de ocorrência contra ele e tinha medida protetiva em vigor.

A mãe de Miratzi e o suspeito estavam juntos havia poucos meses. A menina não era filha de Daniel e não tinha parentesco com a ex-companheira dele.

SEPULTAMENTO

O corpo de Miratzi foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Paranavaí na noite de ontem (16). Devido ao estado de decomposição, não houve velório. O traslado seguiu diretamente para o Cemitério de São Manoel do Paraná.

A família da menina é natural da Venezuela e estava no Paraná havia cerca de um ano, em busca de melhores condições de vida, segundo informações.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para esclarecer toda a dinâmica do crime e verificar se houve eventual participação de outras pessoas

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