Terra Roxa (PR), 17 de julho de 2025 — Preocupados com o crescente uso de cigarros eletrônicos e patinetes elétricos por crianças e adolescentes, representantes da Polícia Militar de Terra Roxa se reuniram esta semana com membros do Conselho Tutelar do município para discutir ações de prevenção e repressão. O encontro teve como foco principal o uso inadequado desses dispositivos, que já têm gerado impactos significativos na saúde pública e na segurança viária local.
Cigarros eletrônicos: ameaça silenciosa entre os jovens
Durante a reunião, foram apresentados dados alarmantes do Ministério da Saúde sobre o uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), popularmente conhecidos como vapes ou pods. Embora proibidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 2009, o consumo entre adolescentes tem aumentado consideravelmente.
Segundo estimativas recentes da Fiocruz, cerca de 20% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos, e muitos desenvolvem rapidamente dependência da nicotina, substância presente em níveis elevados nesses dispositivos. Além disso, estudos apontam que o uso frequente pode provocar doenças respiratórias, problemas cardiovasculares e danos neurológicos em desenvolvimento.
“O cigarro eletrônico tem aparência moderna e atrativa, o que mascara os riscos graves à saúde. Precisamos agir com urgência”, destacou um dos policiais presentes no encontro.
Patinetes elétricos: liberdade com responsabilidade
Outro tema em pauta foi o uso crescente de patinetes elétricos por menores, especialmente em vias públicas, praças e calçadas. Apesar de serem uma alternativa de mobilidade ecológica e prática, muitos crianças e adolescentes estão utilizando o equipamento sem o devido conhecimento das normas de trânsito.
O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que o uso de patinetes elétricos exige o respeito às regras de circulação, podendo ser limitado a maiores de 18 anos, dependendo da legislação municipal. A imprudência de jovens pilotando sem capacete, em alta velocidade e em áreas de grande circulação tem gerado situações de risco e pequenos acidentes no município.
“Estamos vendo crianças de 10, 11 anos usando patinetes como brinquedo, sem controle ou noção de perigo. Isso é um alerta para toda a comunidade”, afirmou um conselheiro tutelar.
Ações e soluções propostas
Como resultado do encontro, foram delineadas algumas ações imediatas e estratégias de médio prazo, incluindo:
• Campanhas educativas nas escolas, abordando os riscos do cigarro eletrônico e a responsabilidade no uso de patinetes;
• Palestras com profissionais da saúde e agentes de trânsito para pais, alunos e educadores;
• Ações de fiscalização conjunta entre PM e Conselho Tutelar em pontos críticos da cidade;
• Encaminhamentos para apoio psicológico em casos de adolescentes já dependentes de nicotina;
• Estudo de regulamentações locais mais claras sobre o uso de patinetes por menores de idade.
As instituições reforçaram a importância da participação ativa da família e da escola nesse processo de conscientização e prevenção.
“Não se trata apenas de proibir, mas de educar e proteger. O futuro dessas crianças depende das escolhas que elas fazem hoje — e do apoio que recebem da comunidade”, concluiu o comandante do pelotão de Terra Roxa, 2*Sargento Cleber Augusto presente na reunião.


