MPF denuncia dono da Voepass e mais 11 por queda de avião que saiu de Cascavel

Acidente com o voo 2283 matou 62 pessoas em Vinhedo

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o dono da Voepass e outras 11 pessoas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo no caso da queda do voo 2283. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada por outros veículos.

A denúncia foi apresentada à 9ª Vara Federal de Campinas, em São Paulo. O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024 e matou as 62 pessoas que estavam a bordo, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.

O ATR 72-500 havia decolado de Cascavel com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos quando caiu em um condomínio residencial de Vinhedo, no interior paulista.

A Polícia Federal havia indiciado 16 pessoas durante as investigações. Segundo O Estado de S. Paulo, dois pilotos e dois controladores que estavam entre os indiciados não foram incluídos na denúncia apresentada pelo MPF.

De acordo com a acusação, as investigações apontaram que o acidente não teria sido provocado por uma falha técnica isolada. O MPF sustenta que houve uma sequência de problemas relacionados à manutenção preventiva e à gestão de segurança da companhia.

Entre os 12 denunciados estão profissionais que ocupavam funções relacionadas à operação, manutenção, engenharia e segurança operacional da empresa.

A acusação também aponta problemas na cultura interna de reporte de falhas. Conforme a denúncia divulgada por O Estado de S. Paulo, o MPF atribui à administração da companhia decisões relacionadas à situação financeira da empresa que teriam comprometido a manutenção adequada das aeronaves.

O que diz a Voepass

Em manifestação divulgada após a denúncia, a Voepass afirmou que seguirá colaborando com o Poder Judiciário e demais autoridades e que fornecerá documentos e informações solicitados durante o processo.

A companhia também declarou que manteve a segurança operacional como princípio ao longo de sua atuação e que seus procedimentos de manutenção, operação e treinamento seguiam a regulamentação aeronáutica e normas internas.

A defesa do proprietário informou que se manifestará no processo e afirmou que, na época do acidente, ele integrava o Conselho da Voepass, mas estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação. A defesa também declarou que o empresário tem colaborado com as autoridades desde o início das investigações.

A apresentação da denúncia não significa condenação. Caso a Justiça Federal receba a acusação, os denunciados passarão à condição de réus e poderão apresentar suas defesas durante o processo.

Redação Catve.com

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