Projeto Universidade Aberta da Maturidade da UFPR conta a história de Leide Maria Furlam Balsanelo

Foto: Folha de Palotina

O jornal Folha de Palotina e o site Portal Palotina publicam mais um texto do projeto Extensão Universidade Aberta da Maturidade (UAM), desenvolvido por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura e do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O UAM tem como objetivo promover a valorização social da pessoa idosa, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para o fortalecimento cultural e social dos participantes. As atividades envolvem palestras, práticas educativas, rodas de conversa e ações integradas com docentes, estudantes e parceiros da UFPR.

Quando Leide Maria Furlam Balsanelo contou sua história pela primeira vez, em 2025, falou sobre uma vida construída com trabalho, família, fé, superação e independência. Um ano depois, aos 75 anos, ela não precisa voltar ao começo para mostrar quem é. Sua história continua sendo escrita — agora entre as aulas da Universidade Aberta da Maturidade (UAM), os passeios em família, o cuidado com as plantas, as descobertas proporcionadas pela universidade e, principalmente, novos planos para o futuro.

Leide continuou participando da UAM em 2026 e não esconde o quanto espera pelas atividades semanais. “Eu acho muito bacana as quintas-feiras vir para cá. Nossa, eu gosto muito”, conta. Uma das coisas que mais aprecia é justamente não saber exatamente o que encontrará em cada encontro. “Não tem rotina. Cada vez uma coisa diferente.”

E, quando o assunto é permanecer na universidade, Leide brinca com a possibilidade de estender os estudos pelo maior tempo possível. Primeiro imaginava que poderia ficar por cinco anos. Depois descobriu, em uma conversa bem-humorada, que a vida acadêmica poderia ser ainda mais longa: graduação, mestrado, doutorado e até pós-doutorado. A ideia de continuar aprendendo parece combinar perfeitamente com alguém que, aos 75 anos, não demonstra nenhuma vontade de parar.

Essa ligação com a universidade, porém, vem de muito antes de sua participação na UAM. Leide se lembra de quando o atual Setor Palotina da UFPR ainda começava a tomar forma. Morando nas proximidades, acompanhou o nascimento daquele espaço e recorda uma época em que praticamente não havia construções na região. Para ela, ver a universidade crescer tem um significado especial: mesmo quando pensava que seus próprios filhos talvez não estudassem ali, imaginava quantas outras famílias seriam beneficiadas pela possibilidade de ter ensino superior perto de casa.

Hoje, de certa maneira, é a própria Leide quem ocupa esse espaço que viu nascer. Não como espectadora, mas como aluna. E a universidade passou a representar também convivência, novas experiências e a possibilidade de continuar curiosa.

O ano de 2026 trouxe novidades para a família. A neta, de quem Leide fala com evidente orgulho, iniciou a graduação em Odontologia em Maringá. A escolha permitiu também novos passeios da avó pela cidade. Em uma das visitas, Leide conheceu a universidade onde a neta estuda e passeou pela Rua das Flores. Encantou-se especialmente com a natureza, as flores e as orquídeas — uma combinação perfeita para quem sempre encontra espaço para mais uma planta.

A coragem da neta para conhecer outros lugares também desperta reflexões. Depois de já ter feito intercâmbio na Finlândia e viajado para reencontrar pessoas que conheceu no exterior, ela representa para a avó uma geração com possibilidades muito diferentes das que Leide teve quando jovem. “A gente fica muito restrito ao mundinho assim e, quando você vê, o tanto que tem para conhecer, para você saber, para ver”, observa.

Talvez essa percepção esteja começando a transformar também os próprios planos de Leide. Durante a conversa, surgiu até a possibilidade de uma futura viagem à Inglaterra. Entre brincadeiras, ela já falava em providenciar o passaporte e em aproveitar a oportunidade para conhecer um lugar novo.

Nem tudo, naturalmente, fica mais fácil com o passar do tempo. Leide fala com naturalidade sobre as mudanças que percebe no corpo e sobre a necessidade de adaptar algumas tarefas. Depois de uma cirurgia no joelho, também enfrentou quedas e situações em que precisou aceitar a ajuda de outras pessoas. Em uma delas, sem conseguir levantar sozinha, pediu auxílio a quem passava. A experiência revelou algo que nem sempre é simples: reconhecer que autonomia também significa saber quando é preciso pedir ajuda.

Mas adaptar-se, para Leide, está muito longe de significar parar. Quando uma tarefa fica mais difícil, ela procura outra maneira de realizá-la. Em casa, continua encontrando soluções para cuidar das coisas de que gosta. E as plantas permanecem como companheiras constantes. Orquídeas, flores, vasos e mudas aparecem naturalmente em suas conversas e em seus passeios.

Há também espaço para a cachorrinha Kate, para a família, para as visitas e para aqueles pequenos acontecimentos cotidianos que, vistos de perto, compõem uma vida inteira. Leide parece encontrar satisfação justamente nessa soma: ter o que fazer, cuidar do que é seu, acompanhar as conquistas de quem ama e continuar descobrindo coisas novas.

Se a primeira entrevista revelou uma mulher que lutou para conquistar o direito de ser dona da própria vida, esta continuação mostra o que Leide está fazendo com essa conquista.

Aos 75 anos, ela escolhe continuar.

Continuar indo à universidade. Continuar aprendendo. Continuar cuidando das plantas. Continuar acompanhando a família. Continuar conhecendo lugares. Continuar fazendo planos.

E, quem sabe, colocar o passaporte na bolsa e descobrir que ainda existe muito mundo esperando por ela.

Organizadora do texto: Mara Fernanda Parisoto via Folha de Palotina

Portal Palotina — a 20 anos com informação, notícias e os principais acontecimentos de Palotina e região.

Compartilhe