Dois jogos, duas vitórias e seis pontos na tabela. O Inter não iniciava o Brasileirão tão bem há 11 anos, desde 2009, sob o comando de Tite.
A frieza dos números dá ares quase irretocáveis à campanha colorada, uma semana após o trauma da derrota no Gre-Nal. Mas os 100% de aproveitamento não contam a história de uma atuação soberana para bater o Santos em casa por 2 a 0 nesta quinta-feira, pela 2ª rodada.
O que se viu do início ao fim num Beira-Rio de arquibancadas vazias – salvo jornalistas, dirigentes (nervosos e depois eufóricos) e um solitário Saci – foi um jogo de ataque contra defesa. Passada a turbulência, o Inter construiu uma vitória com a assinatura de Eduardo Coudet.
E olha que os gols demoraram a sair. Guerrero só foi abrir o placar aos 11 do segundo tempo. Ele mesmo ainda serviu Edenílson de calcanhar para marcar um golaço, já à beira dos acréscimos.
Mas antes de tudo isso a equipe já era soberana. Encurralava o Santos e empilhava situações de gol. As estatísticas dão uma ideia do que foi o jogo, disputado quase todo no campo de ataque colorado.
O Inter teve quase cinco vezes mais finalizações, trocou 110 passes a mais e fez quase o dobro de desarmes. Isso, mesmo tendo ficado quase o tempo todo com a bola. Na etapa inicial, a posse ultrapassou os 70%.
– Fizemos um bom jogo. Se deu o jogo como pensado, planejado. Simplesmente temos que seguir trabalhando. Pode melhorar. São muito parelhos os times no Brasileirão. Temos que sustentar uma ideia de jogo, uma forma. Desta maneira vamos nos sentindo cada vez melhores – analisa Coudet.
Números do jogo:
- Posse de bola: Inter 64% x 36% Santos
- Finalizações: Inter 24 x 5 Santos
- Passes certos: Inter 432 x 312 Santos
- Passes errados: Inter: 89 x 54 Santos
- Faltas Cometidas: Inter 27 x 14 Santos
- Desarmes: Inter 35 x 20 Santos
Nesta quinta-feira, Coudet contou com os retornos de Edenílson, Thiago Galhardo e Boschilia à equipe. Patrick seguiu titular pela esquerda, na trinca de meias que melhor funcionou até aqui – o camisa 8 atuou aberto pela direita, e Boschilia foi o central.
Desde o início, o Inter ocupou o campo do Santos e pressionou a saída de bola com eficiência, apesar do excesso de faltas. A equipe perdia a posse e logo tratava de recuperá-la. E quando o rival escapava, Bruno Fuchs e Vítor Cuesta apareciam bem na cobertura e controlavam as escapadas de Soteldo e Marinho.
A equipe enfim conseguiu ser vertical para progredir em campo quando tinha a bola – algo que faltou nas duas últimas partidas. As chances vieram. Na melhor delas, Thiago Galhardo perdeu em cima da linha após cruzamento de Patrick, ainda no primeiro tempo.
Mas ele se redimiu no lance do gol. Aos 11, chamou a tabela com Edenílson, que devolveu muito forte. Galhardo acreditou na jogada, conseguiu evitar a saída, e a bola chegou para Saravia cruzar na cabeça de Guerrero.
O segundo gol também nasceu de uma construção por baixo. Guerrero foi acionado no pivô, conseguiu segurar a bola e serviu Edenílson de calcanhar. O camisa 8 encobriu o goleiro.
A atuação só não foi perfeita porque a equipe voltou a acusar um velho problema em 2020: a bola aérea defensiva. Aos 21, Kaio Jorge aproveitou falha da zaga para marcar após cruzamento da esquerda. O gol acabou anulado porque o atacante usou o braço.
O desempenho traz um sentimento de empolgação contida à diretoria. Na entrevista após a partida, o vice de futebol Alessandro Barcellos elogiou a atuação, mas com os "pés no chão".
– Não existe tranquilidade. A exigência é essa. Jogamos no final de semana, jogamos hoje, vamos jogar de novo no domingo. Portanto, pés no chão. Trabalhando para aquilo que a gente vem construindo desde o início do ano seja executado. Foi uma amostra importante – analisa o dirigente.
O Inter segue 100% no Brasileirão e é vice-líder com seis pontos devido ao número de gols marcados: o Athletico-PR fez quatro, contra três do Colorado. O elenco colorado se reapresenta nesta sexta-feira. A equipe volta a campo no domingo, às 18h, quando enfrenta o Fluminense no Maracanã pela 3ª rodada.


