Covid-19: especialistas alertam para até 4 semanas de muito luto e dor na região

A superlotação dos hospitais públicos, hospitais privados, das Unidades de pronto-atendimento...

Juliet Manfrin

A superlotação dos hospitais públicos, hospitais privados, das Unidades de pronto-atendimento e o esgotamento completo, tanto do espaço físico quanto humano, do sistema e de profissionais da saúde trarão pela frente dias duros, muito duros para toda a região oeste. O alerta é feito pelas autoridades em saúde que acompanham, mais uma vez, com preocupação o cenário e na linha de frente do enfrentamento à pandemia.

Segundo o diretor-técnico do Samu, o médico Rodrigo Nicácio, o que se viu nesse último fim de semana deverá se repetir podendo se potencializar, em ao menos mais 3 ou 4 semanas que prometem ser terríveis.

Uma prévia disso já foi, infelizmente, vista nos últimos dias em Cascavel e por toda a região. Foram inúmeros atendimentos do Samu em domicílio a pessoas positivadas ou com sintomas de covid-19, pacientes intubados em casa e depois encaminhados às UPAs, em estado grave. Foram mortes, muitas mortes de pacientes aguardando por um leito especializado.

Somente em Cascavel foram confirmados nesta segunda-feira (7) 10 óbitos, um deles registrado há mais tempo e que aguardava confirmação e os demais registrados nos últimas horas. Duas dessas pessoas morreram em casa, vítimas da covid-19. Outras 2 estavam nas UPAs do município, precisando de UTI, mas não deu tempo de conseguir as vagas. 

Estas 10 vítimas fatais elevaram o quadro para 747 vidas perdidas desde o início da pandemia somente em Cascavel. Dos novos óbitos, 4 deles, ou seja, 40%, não tinham nenhuma comorbidade e tinham idades que variavam de 43 anos a 68 anos.

Covid mata 4 vezes mais neste ano, apontam estatísticas

O ano que já está extremamente letal quando o assunto é a pandemia de covid-19, poderá ter esse saldo aumentado de forma preocupante nas próximas semanas. Nesta manhã, 167 pessoas precisavam de leitos de UTI na macrorregião, mas não havia para onde mandá-las. Uma criança precisou ser encaminhada a uma UTI em Curitiba, por falta de terapia intensiva por aqui.

O quadro é ainda mais preocupante quando analisados na frieza dos números.

Desde o início da pandemia na região oeste do Paraná já foram registradas 3.174 mortes. O primeiro óbito do oeste foi em Cascavel no dia 30 de março de 2020. Daquele dia até 31 de dezembro do ano passado, portanto em 9 meses, haviam morrido 915 pessoas, vitimas da covid-19, média de 3 por dia. Em 2021, do dia 1º de janeiro até esse domingo, 6 de junho, já haviam sido 2.259 novas mortes e uma média de 14 óbitos por dia. Em 2021, o vírus está 4, quase 5 vezes mais letal na região oeste, com famílias que mal se recuperam de um luto, para mergulhar em outro.

O número de infectados também mostra um avanço sorrateiro e importante da pandemia no oeste que, não por acaso, tem sido um dos cantos do Paraná onde mais se registra colapso no sistema de saúde.

De março a dezembro de 2020, o oeste tinha – considerando os 9 municípios da 9ª Regional de Saúde de Foz, os 25 da 10ª Regional da Saúde de Cascavel e os 18 da 20ª Regional de Saúde – pouco menos de 65 mil infectados. Neste ano, em menos de 6 meses, foram 158 mil novos casos, duas vezes e meia mais. Assim, o oeste chega neste momento à marca de 223 mil testados positivos desde o início da pandemia.

No oeste, as regionais têm: a 9ª Regional de Foz 1.192 mortos, a 10ª Regional de Cascavel 1.152 vidas perdidas e na 20ª Regional de Toledo, 830.

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