Citando o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, Bolsonaro disse que as soluções para a pandemia variam de país para país e ressaltou que os mais pobres precisam trabalhar para garantir a alimentação
Em novo pronunciamento em rede nacional nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina e retomou embate sobre as medidas de isolamento social estabelecidas por governadores e prefeitos, informando que em nenhum momento foi consultado sobre a "amplitude ou duração das ações".
O presidente afirmou que, nos últimos 40 dias, após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passou a divulgar a possibilidade de tratamento da covid-19 desde a fase inicial da doença. Ele também informou que irá receber da Índia, até sábado (11), a matéria-prima para produzir o medicamento. No entanto, o próprio Ministério da Saúde segue aguardando por evidências concretas de que o uso da substância é eficaz.
Bolsonaro afirmou que sempre colocou a vida em primeiro lugar mas, quanto a questão do isolamento, disse que respeita a autonomia dos governadores e destacou que não foi consultado sobre medidas. "Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos", completou. O presidente disse ter certeza de "que a grande maioria dos brasileiros quer voltar a trabalhar". "Esta sempre foi minha orientação a todos os ministros, observadas as normas do Ministério da Saúde”, destacou.
Citando o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, Bolsonaro disse que as soluções para a pandemia variam de país para país e ressaltou que os mais pobres precisam trabalhar para garantir a alimentação. “Os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o seu pão de cada dia. As consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença. O desemprego também leva à pobreza, à fome, à miséria, enfim, à própria morte”, disse.
O presidente também reafirmou que o objetivo principal do governo "sempre foi salvar vidas" e, após se solidarizar com as famílias de pessoas que morreram por causa do novo coronavírus, disse que há dois problemas a serem resolvidos e que devem ser tratados simultaneamente: o novo coronavírus e o desemprego.
Entre as medidas de estímulo à economia adotadas pelo governo, o presidente citou o pagamento que começa a ser feito nesta quinta-feira de R$ 600, por três meses, de auxílio emergencial para trabalhadores informais, desempregados e microempreendedores. Ele também destacou a isenção do pagamento da conta de energia elétrica a 9 milhões de famílias beneficiárias da tarifa social, também por três meses meses, e a liberação de R$ 60 bilhões de capital de giro para pequenas empresas e construção civil por meio da Caixa Econômica Social.
O presidente citou ainda o saque, previsto para começar em junho, de até R$ 1.045 para quem tem conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "Os beneficiários do Bolsa Família, que são quase 60 milhões de pessoas, também receberão um abono complementar do auxílio emergencial", destacou.


