Após 12 anos, Pedro Henrique volta à cidade natal com o Inter e mantém laços; veja histórias

Atacante é natural da cidade, iniciou como profissional no Avenida, rival desta quarta, e mantém família e amigos na cidade. Quando pode, retorna ao local para churrascos e reencontrar parceiros

Por Tomás Hammes — Porto Alegre

O garoto que vivia com uma bola a tiracolo, aprontava e chorava não só alcançou o sonho como orgulhou parentes e amigos. Pedro Henrique voltará a atuar em Santa Cruz após 12 anos e terá a emoção como companheira nos Eucaliptos. Os parceiros de longa data prometem estar na arquibancada do estádio para empurrá-lo a ajudar o Inter a derrotar o Avenida, às 19h desta quarta, e conquistar a primeira vitória no ano.

– Voltar para minha terra é um grande prazer. Estar perto da família, de todo mundo, mas uma responsabilidade muito grande, que é representar o Inter – disse após o empate em 2 a 2 com o Juventude.

Autor do gol que evitou a derrota no Beira-Rio, o ponta divide com Wanderson a incumbência de ser o atacante pelo lado que desmonta a marcação com dribles e arrancadas. A qualidade que desfila pelo clube do coração chamava atenção desde pequeno.

Pedro Henrique com a camisa do Inter ainda pequeno — Foto: Arquivo pessoal

Pedro Henrique com a camisa do Inter ainda pequeno — Foto: Arquivo pessoal

Em Linha Pinheiral, distrito de Santa Cruz, a 13 km do palco do duelo na noite desta quarta-feira, vivia com uma bola para cima e para baixo. Jogava em casa, no vizinho, no intervalo no colégio.

– O Pedro sempre foi ligado no futebol. Eu brincava que jogava melhor que ele. Chutávamos aqui no pátio e minha mãe o xingava porque estragava as flores. Ele chorava e ganhou apelido de Kiko. Sempre foi muito bom, mas se o Neca não apostasse nele, não chegaria ao Inter – diz Camila Froemming, amiga de infância.

Criado pelo tio

O Neca, referido pela consultora ótica, é Edgard Konzen, tio, padrinho e pai de criação de Pedro Henrique. A infância do atacante não foi fácil. A mãe, Dulce Maria, faleceu quando tinha seis anos, vítima de um aneurisma cerebral. O pai biológico, Pedro, abandonou a família.

O tutor de PH chegou a jogar na várzea. E, ao acompanhá-lo, o hoje camisa 28 se apaixonou pela bola. Neca o levava para ver os jogos do Santa Cruz. Em uma destas ocasiões, encontrou um amigo, Gilberto Coutinho, responsável por uma escolinha. Pediu para que desse uma oportunidade.

– Desde o colégio, quando o Pedro sumia, era fácil de achar. Bastava ver no campo. O Gilberto disse que o Pedro não tinha tamanho, mas falei para levá-lo. Foi para o salão, depois realizou o contato para atuar no Santa Cruz e deu no que deu hoje. Vivemos este sonho dele – vibra Neca.

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