O Biopark e a Faculdade Donaduzzi, em Toledo, iniciaram a fase de incubação de projetos desenvolvidos por estudantes universitários. Com foco em resolver problemas reais do agronegócio e do setor corporativo, os projetos deixaram de ser conceitos acadêmicos para se tornarem soluções de engenharia e dados de alta complexidade que já começam a ser aplicadas no setor produtivo.
Um dos destaques, chamado “Peso na Granja”, foi criado por estudantes dos cursos de graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial. O sistema usa câmeras e redes neurais – modelo de aprendizado de máquina conhecido como ResNet – para estimar o peso de suínos sem contato físico. Segundo os desenvolvedores, os testes indicam precisão de 98%.
A proposta é substituir a pesagem manual, prática que pode gerar estresse aos animais e exigir manejo contínuo. A tecnologia também permite acompanhar o ganho de peso e identificar alterações de comportamento que podem indicar problemas de saúde. O projeto foi um dos vencedores do Hackathon do Show Rural Digital 2026, um dos principais eventos do agronegócio brasileiro.
Outro projeto, desenvolvido por estudantes dos cursos de graduação de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, automatiza o controle de licenças ambientais e de outorgas para produtores rurais. O sistema envia alertas sobre prazos e documentos obrigatórios, com o objetivo de reduzir riscos de irregularidades. Inicialmente voltada à piscicultura, a plataforma poderá ser adaptada a outros setores que exigem controle regulatório.
DO PROTÓTIPO AO MERCADO
Para garantir o sucesso comercial dessas tecnologias, o Biopark inseriu os projetos em sua Trilha Empreendedora, programa que profissionaliza a gestão do negócio.
Na fase de Maturação Tecnológica (Incubação 1), o foco é transformar a tecnologia em um produto robusto para as condições do campo. Na sequência, a Fase de Mercado e Gestão (Incubação 2) oferece suporte em marketing, vendas, precificação e finanças. Por fim, na fase de Residência, a empresa se estabelece definitivamente no parque tecnológico.
“Nós estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.
A implementação dessas soluções reafirma o papel da Faculdade Donaduzzi (Conceito 5 no MEC) e do Biopark – eleito pela Anprotec o melhor hub de inovação do país – na conexão direta entre ciência, educação e as demandas estratégicas do agronegócio contemporâneo. Como destaca a gerente acadêmica Dayane Sabec, a proposta pedagógica integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento de soluções em ambiente de inovação, permitindo que os estudantes vivenciem problemas concretos e entreguem tecnologias com alto impacto produtivo e social.


