Estimativa de julho aponta safra recorde de 45,7 milhões de toneladas em 2025 no Paraná, alta de 21,8%  

Foto: Augustinho/Portal Palotina

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje (14) pelo IBGE, mostra que a safra paranaense de cereais, leguminosas e oleaginosas deve totalizar 45,7 milhões de toneladas em 2025. Trata-se de um crescimento de 21,8%, ou 8,1 milhões de toneladas maior do que a safra obtida em 2024 (37,5 milhões de toneladas). Na comparação com junho, a estimativa registrou alta de 1,06% um acréscimo de 479,7 mil toneladas. A Região Sul do Brasil responde por 24,1% de toda a produção nacional de grãos, sendo que o Paraná participa com mais da metade da produção da região, com 13,4%. A safra nacional deve totalizar 340,5 milhões de toneladas em 2025, o que representa um valor 16,3%, ou 47,7 milhões de toneladas, maior do que a safra obtida em 2024 (292,7 milhões de toneladas). Na comparação com junho, a estimativa registrou alta de 2,1%, um acréscimo de 7,1 milhões de toneladas. 

A área a ser colhida este ano no Paraná deve ser de 11,2 milhões de hectares, o que representa uma redução de 0,7% (80,1 mil hectares a menos) em relação à área colhida em 2024. Frente ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou uma sutil expansão de 3,4 mil hectares (0,01%). Em relação à produção nacional de grãos distribuída pela Unidades da Federação, o Paraná ocupa o segundo lugar (13,4%), atrás apenas do estado do Mato Grosso, que tem participação de 32,4%, seguidos pelo Rio Grande do Sul (9,5%), Mato Grosso do Sul (7,5%) e Minas Gerais (5,6%), que, somados, representaram 79,8% do total. Com relação às participações regionais, tem- se a seguinte distribuição: Centro-Oeste (51,5%), Sul (25,1%), Sudeste (8,9%), Nordeste (8,2%) e Norte (6,3%). 

ARROZ (em casca) – A estimativa para a produção nacional foi de 12,5 milhões de toneladas, crescimento de 1,5% em relação a estimativa do mês anterior e de 17,7% em relação à safra 2024, com aumento de 11,4% na área a ser colhida e de 5,7% na produtividade. Os preços e a rentabilidade da cultura encontravam-se atrativos para o produtor, incentivando o aumento da área na época do plantio. O aumento das áreas de arroz é um fator importante para o País, pois, há alguns anos, a cultura vem perdendo espaço para outros produtos mais rentáveis como a soja e o milho. Com o aumento da oferta, os preços pagos ao produtor diminuíram.  

O Paraná, reduziu suas estimativas mensais de produção em 3,8%, em função da reavaliação da produtividade das lavouras, porém, em relação a 2024, foi estimado um crescimento de 4,3% na produção, em função de uma melhor produtividade, impulsionada por dias mais ensolarados.  

SOJA (em grão) – A produção nacional da oleaginosa deve alcançar novo recorde na série histórica em 2025, totalizando 165,5 milhões de toneladas, um aumento de 14,2% em comparação à quantidade obtida no ano anterior. Neste levantamento, ocorreram poucas reavaliações em relação ao mês anterior, com acréscimo de 390,2 mil toneladas. Estima-se que a produção nacional tenha um incremento de 10,5% no rendimento médio anual, alcançando 3.480 kg/ha, contribuindo para que o volume colhido da oleaginosa represente quase a metade do total de cereais, leguminosas e oleaginosas produzidos no País em 2025. As projeções atuais indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras do País, e pela expansão da área plantada.  

O Paraná, segundo maior produtor de soja brasileiro, manteve sua produção em julho, 21,3 milhões de toneladas, com um crescimento de 14,2% em relação ao ano anterior. O incremento de 14,2% no rendimento médio, que deve alcançar 3.649 kg/ha, é o principal fator que impulsionou o aumento na produção estadual, uma vez que a área plantada se manteve praticamente estável neste ano. Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná (DERAL/PR), a irregularidade climática impactou as produtividades, especialmente nas Regiões Oeste e Norte, que juntas plantam pouco mais de 43% do total da área, contrastando com a Região Sul, que surpreendeu positivamente, apresentando ganhos de produtividade. Já o Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, estimou um aumento de 0,2% em relação ao mês anterior, com a produção estadual alcançando a marca de 50,3 milhões de toneladas colhidas em 2025, um crescimento anual de 28,5%. 

CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada. Para o trigo (em grão), a produção estimada alcançou 7,7 milhões de toneladas, declínio de 3,4% em relação ao mês anterior e crescimento de 2,3% em relação a 2024. A Região Sul deve responder por 85,8% da produção tritícola do País. No Rio Grande do Sul, principal produtor do País, com 47,4% do total nacional, a produção deve alcançar 3,6 milhões de toneladas, declínios de 4,5% em relação a junho, em função da menor área cultivada (-5,9%), e de 1,4% em relação ao volume produzido em 2024. No Paraná, segundo maior produtor brasileiro de trigo, com participação de 33,9% no total, a produção foi estimada em 2,6 milhões de toneladas, declínio de 2,8% em relação ao mês anterior e crescimento de 10,4% em relação ao volume produzido em 2024, quando a produção foi severamente afetada por problemas climáticos.  

Para a cevada (em grão), a produção nacional estimada foi de 549,3 mil toneladas, aumentos de 0,6% em relação ao mês anterior e de 32% em relação ao volume produzido em 2024. Os maiores produtores da cevada são o Paraná, com 431,7 mil toneladas, crescimentos de 2,1% em relação a junho e de 50,3% em relação a 2024, devendo participar com 78,6% na safra brasileira de 2025; e o Rio Grande do Sul, com uma produção de 95,0 mil toneladas, declínios de 6,7% em relação ao mês anterior e de 12,9% em relação ao volume produzido em 2024. A produção gaúcha deve representar 17,3% do total da cevada produzida, em 2025, pelo País.  

Já a produção da aveia (em grão) foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, crescimentos de 2% em relação ao mês anterior e de 27,3% em relação ao volume colhido em 2024. Os maiores produtores do cereal são o Rio Grande do Sul, com 990,2 mil toneladas, aumento de 3% em relação ao mês anterior, e crescimento de 22,4% em relação ao volume colhido em 2024; e Paraná, com 245,2 mil toneladas, declínio de 1,1% em relação a junho e crescimento de 47,3% em relação a 2024. A produção catarinense deve alcançar 49,5 mil toneladas, declínios de 0,7% em relação ao mês anterior e de 0,6% em relação a 2024.  

FEIJÃO (em grão) – Três safras compõem a produção brasileira de feijão, com destaque para a 2ª safra, que vem ganhando mais importância nos últimos anos, em função da preferência dos produtores em cultivar a soja na safra de verão (1ª safra), por sua maior rentabilidade e liquidez no mercado. A estimativa para a produção de feijão, considerando-se essas três safras, deve alcançar 3,1 milhões de toneladas, declínio de 3,6% em relação a junho, contudo, crescimento de 0,4% sobre a safra 2024. Essa produção deve atender ao consumo interno brasileiro, em 2025, não havendo necessidade da importação do produto. O Paraná é o maior produtor nacional de feijão, prevendo uma produção de 861,9 mil toneladas ou 27,7% de participação, seguido por Minas Gerais com 476,6 mil toneladas ou 15,3% de participação e Goiás com 364,5 mil toneladas ou 11,7 % de participação. O feijão representa 0,9% de toda a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, ocupando 3,3% do total de área cultivada, aproximadamente 2,7 milhões de hectares.  

MILHO (em grão) – A estimativa da produção nacional do milho foi de 137,6 milhões de toneladas, um recorde da série histórica do IBGE, com crescimentos de 4,7% em relação ao mês anterior e de 19,9% em relação ao volume produzido em 2024. Em 2024, a produção do cereal foi afetada por problemas climáticos em diversas Unidades da Federação produtoras, recuperando-se em 2025, em decorrência do clima mais chuvoso que beneficiou a maioria das áreas produtoras.  

O milho 1ª safra apresentou uma estimativa de produção de 26,2 milhões de toneladas, aumentos de 0,6% em relação a junho e de 14,1% em relação ao volume produzido nessa mesma época em 2024. A área plantada, na safra corrente, caiu 2,7%, para 4,7 milhões de hectares, enquanto o rendimento cresceu 20%, em decorrência do clima, que beneficiou as lavouras na maioria das Unidades da Federação produtoras. Houve crescimento na estimativa em todas as Regiões do País: Norte (22,8%), Nordeste (12,5%), Sudeste (2,8%), Sul (21,5%) e Centro-Oeste (13,0%). O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro do milho 1ª safra, com participação de 20,2% e uma produção estimada em 5,3 milhões de toneladas, 17,3% maior que o volume produzido no ano anterior.  

A produção do milho 2ª safra apresentou crescimentos de 5,7% em relação ao mês anterior e de 21,4% em relação ao volume produzido nessa mesma época em 2024, atingindo 111,4 milhões de toneladas, uma estimativa recorde da série histórica do IBGE. O Mato Grosso é o maior produtor brasileiro do milho na 2ª safra, participando com 48,7% do total. A produção deve alcançar 54,3 milhões de toneladas, crescimentos de 10,8% em relação ao mês anterior e de 14,3% em relação ao volume colhido em 2024. O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de milho 2ª safra, participando com 15,3% do total. A produção deve alcançar 17,1 milhões de toneladas, crescimento de 3,2% em relação a junho e de 35,9% em relação ao ano anterior. Nesse comparativo, a área plantada e a área a ser colhida devem crescer 9,4% e o rendimento médio 24,2%.  

TOMATE – A estimativa da produção nacional foi de 4,5 milhões de toneladas, declínios de 6,7% em relação a junho e de 4,2% em relação ao volume produzido em 2024. No comparativo mensal, a área colhida decresceu 2,8% e o rendimento médio caiu 3,9%. Em termos anuais, as estimativas ainda apontam um pequeno avanço de 1% na área colhida, embora tenha ocorrido queda de 5,1% no rendimento médio. Os estados com maiores percentuais de representação na produção nacional em julho são Goiás (32,4%), São Paulo (24,1%) e Minas Gerais (12,5%). Já o Paraná, em relação ao ano anterior, tem a estimativa de aumento da produção em 2025 em 1,9%, no comparativo com a safra de 2024.  

UVA – A produção nacional deve alcançar 2,1 milhões de toneladas, aumento de 2,1% em relação à estimativa de junho e de 19,1% em relação ao volume produzido em 2024. O rendimento médio estimado subiu para 25.194 kg/ha, crescimento de 0,3% frente ao mês anterior e 17,8% acima do registrado em 2024, confirmando a tendência de alta produtividade nacional, especialmente no Rio Grande do Sul (principal produtor nacional, com participação de 45,6%), e em Pernambuco (segundo maior produtor nacional, com participação de 36,0% em 2025). No Sul, além do Rio Grande do Sul, Santa Catarina apresentou produção crescente, estimada em 59,6 mil toneladas, aumentos de 61,4% em comparação com a safra de 2024, e 3,7% em comparação com o mês de junho de 2025. Já o Paraná, teve produção estimada em 56,9 mil toneladas e rendimento médio de 14.218 kg/ha, ambos com variação anual e mensal pouco significativa.  

Sobre o LSPA 

Implantado em novembro de 1972 com o propósito de atender às demandas de usuários por informações estatísticas conjunturais mensais, o LSPA fornece estimativas de área plantada, área colhida, quantidade produzida e rendimento médio de produtos selecionados com base em critérios de importância econômica e social para o país. Ele permite não só o acompanhamento de cada cultura investigada, desde a fase de intenção de plantio até o final da colheita, no ano civil de referência, como também o prognóstico da safra do ano seguinte, para o qual é realizado o levantamento nos meses de outubro, novembro e dezembro. Acesse os dados no Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA. A próxima divulgação do LSPA, referente a agosto, será em 11 de setembro.

Fernanda Greppe

Jornalista IBGE | SES Paraná

Compartilhe