Palotina, município que por anos ostentou o título de capital mundial da soja na década de 1970, hoje contempla um cenário de frustração de safra em seu território. A estiagem, uma das mais severas na história do Paraná, responsável por castigar os produtores e as produtoras de grãos nos últimos três anos, praticamente “torrou” as plantas nas lavouras. Os prejuízos atribuídos à quebra já chegam a R$ 250 milhões.
O cenário de perdas levou o Sindicato Rural de Palotina a protocolar um ofício reivindicado a publicação de decreto de Estado de Emergência. O documento seria um suporte aos produtores para prorrogar suas dívidas contraídas junto às cooperativas e instituições financeiras de crédito rural.
O prefeito de Palotina, Luiz Ernesto de Giacometti, reconhece a dificuldade enfrentada pela agricultura do município com uma crise hídrica superando dois meses sem chuva. “Fizemos um estudo, juntamente com o Sindicato Patronal, Defesa Civil e com a Secretaria da Agricultura de Palotina, afim de declarar estado de emergência em virtude da estiagem no município”, disse o prefeito, em entrevista concedida ao Portal Sou Agro. O decreto será publicado nesta quinta-feira (30).
A Prefeitura de Palotina coletou todos os dados necessários para a Defesa Civil tomar conhecimento do estágio das lavouras. “Temos um prejuízo estimado de mais de R$ 250 milhões só na safra da soja, sem contar as consequências que virão em cima dessa questão de não ter uma safra cheia de soja, como previsto”.
Para o prefeito, é uma situação realmente difícil, bem técnico, para elaborarmos esse documento, junto com relatório, tudo discriminado para o posterior encaminhamento à Defesa Civil do Estado, quando, automaticamente, o Governo do Estado aceitará esse decreto e emitiremos o decreto amanhã [quinta]. “Justamente para que possamos assegurar aos nossos produtores essa dificuldade que terão pela frente, em função de não colher uma safra a contento, ou seja, o mínimo possível”. Pelas estatísticas já em mãos, o quadro é muito mais sério do que se pensava inicialmente em função do estado das lavouras de Palotina.
Governo do PR decreta situação de emergência
O governo do Paraná decretou situação de emergência por conta da forte seca que atinge o estado. O decreto afirma que: “A intensa estiagem que atinge o território paranaense desde a metade do ano de 2019, intensificada no último trimestre de 2021; Que, em decorrência do desastre, estão caracterizados danos humanos, ambientais e consequentes prejuízos econômicos públicos e privados de grande vulto, impactando diretamente a população, especialmente nas áreas rurais, com desabastecimento de água inclusive para dessedentação de animais; Que a Coordenação Estadual de Defesa Civil, relatando a ocorrência desse desastre, manifestou-se favorável.”
As cláusulas do decreto são as seguintes: 1ª “Fica declarada SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA em todo o território do Estado do Paraná, conforme parecer da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, em virtude do desastre classificado e codificado como ESTIAGEM.”
2ª Fica autorizada a mobilização de todos os órgãos estaduais para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, nas ações de resposta ao desastre, reabilitação do cenário e reconstrução.
3ª Ficam dispensados de licitação os contratos de aquisição de bens necessários às atividades de resposta ao desastre, de prestação de serviços e de obras relacionadas com a reabilitação dos cenários dos desastres, desde que possam ser concluídas no prazo máximo de cento e oitenta dias consecutivos e ininterruptos, contados a partir da caracterização do desastre, vedada a prorrogação dos contratos.
O decreto foi publicado ontem (30) e é válido por 180 dias.
PERDAS
De acordo com o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, as perdas para o agro são muito significativas e foram avaliadas em R$ 16,84 bilhões, vamos aos dados:
Soja: perdas de 7.957.000 t ou 37,8% da safra esperada- $14,35 bi
Milho: perdas de 1.784.000 ou 42,1% da safra esperada- $1,59 bi
Feijão: perdas de 49.654 t ou 18%- $193,7 milhões
Silagem: perdas de 2.380.000 t e $ 190, 46 milhões
Leite: redução de pelo menos 197,6 milhões de litros ou $407 milhões
Além disso, há perdas também na produção de batata, tabaco, laranja, pastagens e hortaliças.
VEJA O DECRETO NA ÍNTEGRA:




