Ex-presidente do Corinthians Dualib diz que Inter merecia título brasileiro em 2005: “eu ganhei errado”

A mágoa está viva Perto dos 100 anos, Dualib cita tristeza com ingratidão e explica polêmicas de quando comandava o Corinthians

As recordações estão por todas as partes. A maior delas se apresenta como um quadro imponente pendurado na parede. Ele fica em evidência no acanhado apartamento localizado na zona oeste de São Paulo. A pintura remete a tempos áureos: Alberto Dualib segura a taça do Mundial 2000, munido de uma faixa de campeão, à frente do escudo do Corinthians.

Outras faixas se fazem presente na casa do ex-presidente do clube paulista. Numa foto, Dualib aparece sentado com os braços abertos. Ele "afaga" os 14 títulos que o Corinthians conquistou na sua gestão de 14 anos.

As conquistas o fazem sorrir. Satisfeito, Dualib não esconde o orgulho em ter empilhado taças entre 1993 a 2007 e se autointitula o maior presidente da história do clube. O sentimento se dissipa quando passagens mais recentes são recordadas. Para o ex-presidente, parte da torcida corintiana mostra ingratidão ao não dar méritos a ele pelos feitos alcançados.

Prestes a completar 100 anos – o centenário vai virar realidade no dia 14 de dezembro -, Dualib recebeu a reportagem do UOL Esporte na residência em que vive sozinho, com a ajuda de três cuidadoras. A rotina atual contrasta com os tempos de poder no Corinthians, quando ainda comandava cinco empresas.

Lúcido, o ex-dirigente explicou temas espinhosos, como as parcerias assinadas nas décadas de 1990 e 2000, incluindo a MSI, que lhe rendeu um processo criminal nos anos seguintes. Além disso, falou sobre a atual política corintiana e como perdeu milhões ao comandar o Corinthians em quatro mandatos seguidos, recorde absoluto no clube de Parque São Jorge.

César Rodrigues/FolhapressCésar Rodrigues/Folhapress

R$ 12 milhões perdidos

Dualib foi presidente do Corinthians de 1993 a 2007. Durante esse período, marcado por quatro mandatos no cargo mais importante do clube, o dirigente afastou-se das suas empresas a fim de cuidar dos assuntos corintianos. Além disso, segundo relato do ex-mandatário, recursos próprios foram colocados no Corinthians em momentos de crise financeira. As cifras atingem R$ 12 milhões. O cenário contribuiu para o fechamento de suas cinco empresas.

Dualib, porém, não mostra arrependimento e diz que os valores repassados foram considerados como uma doação, por isso nunca quis receber a quantia de volta.

O ex-presidente relembra ainda um caso emblemático aconteceu no fim de 1993, logo no seu primeiro ano como presidente. O passe de Marcelinho Carioca foi comprado depois de uma contribuição do dirigente. "Eu paguei do meu bolso", ressaltou.

No tempo que eu estive lá, se o clube precisava, eu pagava. Precisava, eu pagava. Nunca conseguia retorno. Você pagar é fácil, retornar é difícil 

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