Feminicídio e ódio online: lei busca criminalizar misoginia no Brasil

Mais de mil mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil este ano, o que evidencia a gravidade da violência de gênero no país. Até o mês de outubro, foram registradas 1.184 vítimas de feminicídio. Muitos desses crimes ou tentativas ocorrem em plena luz do dia e na frente de testemunhas.

Apesar da existência de leis mais rígidas para enfrentar a violência contra a mulher, a frequência e a brutalidade dos casos chamam a atenção. Em paralelo à crescente mobilização pela igualdade de gênero, observa-se um avanço do discurso de ódio contra mulheres, que se espalha, principalmente, nas redes sociais.

Discurso de Ódio e Movimento “Red Pill”

Movimentos como o “Red Pill” (Pílula Vermelha), que se popularizam na internet, são apontados como um fator de influência nesse contexto. O nome é uma referência ao filme Matrix, onde a pílula vermelha simbolizaria o “despertar para a realidade”, enquanto a azul significaria viver na ignorância.

Os adeptos do “Red Pill” são majoritariamente homens que acreditam ser prejudicados e perseguidos pelas leis que defendem as mulheres. Eles atacam movimentos como o feminismo e as leis de igualdade de gênero, exercendo forte influência sobre os mais jovens.

Um dos principais nomes ligados ao movimento, o influenciador Thiago Schutz, que se intitula “coach de masculinidade”, foi preso recentemente sob a acusação de agredir a namorada. Ele responde ao processo em liberdade.

A Definição de Misoginia

Discursos e ações que desqualificam mulheres e meninas, evidenciam preconceito e se manifestam com desprezo são classificados como misoginia. O termo significa enxergar a mulher como um ser inferior ao homem.

Atualmente, um Projeto de Lei que tramita no Senado Federal busca incluir a misoginia na Lei de Racismo. A proposta tem como objetivo criminalizar a prática, classificando-a como um tipo de discriminação.

O Impacto da Violência no Cotidiano

Nicolly, uma adolescente de 15 anos que foi vítima de feminicídio há cinco meses em Hortolândia, no interior de São Paulo. Nicolly foi morta e esquartejada pelo ex-namorado, de 17 anos. Ele e uma outra adolescente confessaram o crime e foram apreendidos. A mãe da vítima, Priscila, acompanha o caso.

O aumento da brutalidade e da frequência desses crimes, mesmo sob leis mais rigorosas, reforça a urgência em debater e combater o discurso de ódio que se dissemina online.

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