A fé que amadurece no caminho
O profeta Jeremias, na primeira leitura deste domingo, experimenta a frustração de perceber que não tem o controle da própria vida. Quando foi chamado por Deus, ainda jovem, tentou resistir: “Ah, Senhor Deus, eu não sei falar, sou apenas uma criança” (Jr 1,6). Deus, porém, garantiu que estaria com ele e não o abandonaria.
Agora, encontramos Jeremias mais velho, marcado pelas dificuldades da missão. Sua palavra incomoda, provoca rejeição e faz dele motivo de zombaria. Por isso, se dirige a Deus quase em tom de protesto: “Seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir. Sou objeto de zombaria o dia inteiro” (Jr 20,7). Jeremias chega a pensar em desistir, mas percebe que não consegue. A Palavra de Deus se tornou dentro dele como um fogo que não pode ser apagado. Mesmo sofrendo, continua porque sabe que Deus permanece com ele.
Algo semelhante acontece com Pedro no Evangelho (Mt 16,21-27). Ele também precisa aprender que seguir Jesus não significa compreender tudo desde o início. No domingo passado, Pedro havia professado sua fé: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus o chamou de bem-aventurado e declarou: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”.
Pedro reconhece Jesus como Messias, mas ainda precisa compreender que tipo de Messias Jesus é. Quando o Senhor anuncia que deverá ir a Jerusalém, sofrer, morrer e ressuscitar, Pedro se revolta. Para ele, sofrimento e cruz não combinam com sua ideia do Messias.
Jesus responde com firmeza: “Vai para trás de mim, Satanás. Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mt 16,23). Pedro, que havia sido chamado de pedra, torna-se agora pedra de tropeço. Ele ama Jesus, mas ainda deseja determinar o caminho do Mestre segundo suas próprias expectativas.
As palavras “vai para trás de mim” indicam o lugar do discípulo. Pedro não deve caminhar à frente de Jesus, tentando lhe mostrar o caminho. Seu lugar é atrás do Mestre, seguindo, escutando e aprendendo.
É justamente aí que Jeremias e Pedro se encontram. Ambos foram chamados por Deus e descobriram que a vocação não elimina as dificuldades. Jeremias precisou aprender que a presença de Deus não o livraria de todo sofrimento, mas o sustentaria dentro dele. Pedro precisou compreender que confessar Jesus como Cristo significava também aceitar o caminho escolhido por Jesus.
Por isso, o Senhor diz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Renunciar a si mesmo não significa desprezar a própria vida, mas deixar de colocar o próprio eu no centro. A fé amadurece quando deixamos de querer conduzir Deus e aceitamos ser conduzidos por Ele.
Neste domingo celebramos também o Dia do Catequista. Como Jeremias e Pedro, o catequista é alguém que ouviu um chamado e colocou sua vida a serviço do Evangelho. Também conhece dificuldades, cansaços e frustrações. Nem sempre vê imediatamente os frutos de seu trabalho, mas continua semeando.
Antes de ser alguém que ensina, o catequista é discípulo. Caminha atrás de Jesus, escuta sua Palavra e aprende continuamente com o Mestre. A todos os catequistas de nossa Diocese, nossa gratidão pelo tempo dedicado, pela perseverança e pelo testemunho de fé oferecido às nossas comunidades. Que o Senhor os sustente na certeza de que Deus não abandona aqueles que chama.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo Diocesano de Toledo


