O início de 2026 tem sido marcado por gestos de solidariedade que transformam vidas e reforçam a importância da doação de órgãos na região Oeste do Paraná. Em menos de 24 horas, o Hospital Bom Jesus realizou duas captações de múltiplos órgãos, consideradas históricas para a saúde pública regional.
Somente nesse período, foram captados 15 órgãos e tecidos, possibilitando que 15 pessoas fossem retiradas da fila de espera por transplantes. Atualmente, mais de 5 mil pacientes aguardam por um órgão apenas no Paraná, o que evidencia a relevância de cada autorização familiar.
Uma das doações foi do palotinense Ricardo Joana dos Santos, mesmo diante do luto, a família autorizou a doação de órgãos, decisão que desencadeou uma operação de alta complexidade envolvendo equipes médicas, forças de segurança e transporte aéreo na manhã deste domingo (18). A ação permitiu que órgãos fossem destinados a pacientes em diferentes estados do país.
Entre os órgãos captados, um pulmão teve como destino Porto Alegre (RS). Por se tratar de um órgão extremamente sensível ao tempo, a logística precisou ser rápida e precisa para garantir o sucesso do transplante.
A outra doação foi da moradora de Nova Santa Rosa, realizada após a confirmação de morte encefálica de Edilma Belizario de Paula, de 54 anos. Em um gesto de amor e solidariedade, a família autorizou a doação de múltiplos órgãos, beneficiando ao menos oito pessoas. A captação ocorreu na noite de sábado (17), no Hospital Bom Jesus, em Toledo.
Durante o procedimento, foram captados dois rins, duas córneas e o coração, este último destinado à recuperação de válvulas. A cirurgia foi realizada entre 20h e 23h, mobilizando uma força-tarefa composta por equipes médicas e de apoio, que seguiram rigorosamente todos os protocolos de segurança e preservação dos órgãos.
Após a captação, os órgãos foram encaminhados com urgência ao Aeroporto Municipal de Toledo e transportados de aeronave até Curitiba, onde equipes especializadas aguardavam os receptores compatíveis.
Segundo a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), o sucesso das operações só foi possível graças à integração entre o hospital, o Sistema Nacional de Transplantes e o apoio logístico das forças de segurança, garantindo que os órgãos chegassem em tempo hábil aos pacientes.
Os casos reforçam a importância de conversar em família sobre a doação de órgãos. Um único doador pode salvar e melhorar a qualidade de vida de várias pessoas, transformando a dor da perda em esperança, recomeço e vida para quem aguarda por um transplante.


