Esquema suspeito de legalizar carros de luxo roubados no Brasil envolve policiais e autoridades judiciais no Paraguai

Foto: ABC Color

m suposto esquema de legalização de veículos de luxo roubados no Brasil está sendo investigado no Paraguai. A Corte Suprema de Justiça do país decidiu encaminhar ao Ministério Público os resultados de uma auditoria que identificou nove casos suspeitos envolvendo automóveis entregues a policiais e agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

Segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, a decisão foi tomada durante sessão plenária realizada na quarta-feira (28).

Conforme a auditoria, o esquema teria funcionado por meio da criação de processos judiciais inexistentes, utilizados para simular a apreensão de veículos. Com documentos supostamente irregulares, os automóveis eram entregues a agentes públicos como depositários judiciais, permitindo que circulassem em território paraguaio.

Entre os investigados estão a ex-juíza Honorina Ubalda Acosta, a servidora judicial Rossana Isabel Coronel e os promotores Epifanio Anastacio Joel Díaz Ferreira e Celso René Morales Fernández.

Caminhonete levantou suspeitas

O caso começou a ser descoberto após uma abordagem policial em Fernando de la Mora, no Paraguai. Um policial identificado como José Antonio Grance conduzia uma Toyota Fortuner, ano 2019, com placa vinculada a outro veículo.

Durante a fiscalização, ele apresentou uma decisão judicial que supostamente autorizava a utilização da caminhonete em uma investigação criminal.

No entanto, consultas aos registros judiciais revelaram que o documento pertencia a outro processo, relacionado a roubo agravado e tomada de reféns. Também não havia qualquer registro oficial da apreensão da caminhonete na investigação mencionada.

As irregularidades motivaram uma auditoria mais ampla, que acabou identificando outros casos semelhantes.

Investigação será aprofundada

Com o encaminhamento dos documentos ao Ministério Público paraguaio, caberá às autoridades investigar a possível participação de servidores do Judiciário, policiais e outros agentes públicos na legalização irregular dos veículos.

Até o momento, foram identificados nove casos suspeitos. A eventual responsabilidade criminal dos envolvidos ainda deverá ser apurada pelas autoridades paraguaias.

Por ABC Color – Paraguai.

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